Estrutura Geológica do Brasil

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Texto relacionado GeoBrasil: Relevo Brasileiro


A crosta terrestre √© tamb√©m chamada litosfera (profundidade de 70km nas partes mais espessas e 5 km nas menos espessas). Corresponde √† camada mais r√≠gida da Terra, sustentada por uma grande variedade de tipos de rochas de diferentes forma√ß√Ķes e idades. Para o homem, essa camada √© extremamente importante, pois al√©m de funcionar como piso do estrato geogr√°fico √© nela que se encontram os recursos minerais, grande parte dos recursos energ√©ticos e os nutrientes minerais necess√°rios para desencadear o ciclo de vida dos vegetais e, consequentemente, dos animais.

pao de acucar

Estrutura litosf√©rica do Morro P√£o de A√ß√ļcar no Rio de Janeiro. Rocha composta por granito (magm√°tica) e gnaisse (metam√≥rfica). O morro se formou a partir da colis√£o dos continentes africano e sulamericano – que faziam parte do supercontinente Gondwana (parte sul da Pangeia) – h√° 560 milh√Ķes de anos.

 

Este artigo atende aos fins de leitura e pesquisa e pertence ao blog GeoBau (http://www.marcosbau.com.br). Proibida a reprodu√ß√£o pelo Art. 184 do C√≥digo Penal e Lei 9.610/98 de Direitos Autorais. √Č permitida a reprodu√ß√£o de parte do texto desde que mencionada a fonte. PL√ĀGIO √Č CRIME. DENUNCIE.¬†

Estrutura Geológica ou Macroformas Estruturais

√Č o conjunto de diferentes rochas de um lugar e se divide em tr√™s tipos b√°sicos:

  • Escudos Cristalinos ou N√ļcleos Crat√īnicos

S√£o rochas magm√°ticas muito antigas, das eras Pr√©-Cambriana e Paleoz√≥ica (entre 900 milh√Ķes e 4,5 bilh√Ķes de anos – veja tabela geol√≥gica na figura que segue). Sofreram forte processo erosivo, apresentando-se desgastadas e com baixas altitudes (tamb√©m s√£o os mais est√°veis do ponto de vista tect√īnico). Ex: Escudos das Guianas, Brasileiro, Canadense, Siberiano e o Guineriano.

  • Bacias Sedimentares

Com o passar das eras, os escudos cristalinos foram atacados por processos erosivos e, sendo assim, sedimentos foram transportados e acumulados em depress√Ķes existentes nas superf√≠cies dos escudos (bacias). Temos bacias origin√°rias das eras Paleoz√≥ica, Mezoz√≥ica e Cenoz√≥ica (situe tais eras na figura que segue).

Escala geológica do tempo. Clique na imagem para uma melhor visualização em outra aba/janela.

As bacias sedimentares recobrem parcialmente as √°reas crat√īnicas ou de plataformas, ocupando 75% da superf√≠cie emersa da Terra, embora em volume as rochas sedimentares sejam bem menos representativas do que as √≠gneas e metam√≥rficas.

Representação do cráton, escudo e plataforma coberta em recorte no território brasileiro. Fonte: ADAS, Melhem. Panorama geográfico do Brasil. São Paulo: Moderna, 2004, p. 331.

  • Faixas Orog√™nicas ou Dobramentos (veja figura que segue)

A crosta terrestre sofreu, ao longo da hist√≥ria da Terra, movimentos produzidos por for√ßas internas (chamados orogen√©ticos), que deram origem a cadeias de montanhas. S√£o √°reas de complexidade rochosa e estrutural, geradas pelos dobramentos acompanhados de intrus√Ķes, vulcanismo, abalos s√≠smicos e falhamentos. Correspondem aos terrenos mais inst√°veis, nos quais prevalece forte atividade tect√īnica. As cadeias orog√™nicas encontram-se preferencialmente nas bordas dos continentes, nos limites com os oceanos Pac√≠fico e √ćndico e no mar Mediterr√Ęneo.

Fonte da figura: TERRA, Lygia; COELHO, Marcos Amorim. Geografia geral: o espaço natural e socioeconomico. São Paulo: Moderna, 2005, p. 176.

Os dobramentos (sin√īnimo de orog√™nese) s√£o divididos em antigos e recentes. Os primeiros datam do Pr√©-Cambriano no chamado ciclo brasiliano (entre 610 e 650 milh√Ķes de anos atr√°s), que formou a maior parte dos planaltos brasileiros, como as serras do Mar e da Mantiqueira e planaltos residuais amaz√īnicos e das Guianas. O segundo tipo citado (recentes) se formou na na Era Terci√°ria e deram origem √†s mais altas cadeias de montanhas da terra ‚Äď Himalaia, Alpes, Pireneus, Andes e Rochosas.

Processos Endógenos Ativos

Os fen√īmenos provocados pela for√ßa end√≥gena ativa s√£o extremamente interdependentes, e quando ocorre a manifesta√ß√£o de um deles todos os demais est√£o ocorrendo tamb√©m. Ex: O processo de orogenia andina iniciou-se e prolongou-se pelo Cenozoico, com a dura√ß√£o de cerca de 10 milh√Ķes de anos para a forma√ß√£o da Cordilheira; durante o Cenozoico tamb√©m ocorreu a epirogenia do continente sul-americano. Acompanhando esses movimentos ocorreram, por exemplo, falhamentos como os que geraram a escarpa da serra do Mar, a serra da Mantiqueira, o Graben (parte mais baixa – veja as duas figuras que seguem) do m√©dio vale do Para√≠ba, no Sudeste do Brasil, e o vulcanismo e as intrus√Ķes no litoral do Pac√≠fico (regi√£o do cintur√£o ou c√≠rculo do fogo).

Orog√™nese = dobramento = forma√ß√£o de montanhas velhas (no Pr√©-Cambriano) e jovens (no Cenozoico) = movimento que acontece – obrigatoriamente – em limites convergentes de placas tect√īnicas.

Epirog√™nese = soerguimento e rebaixamento da crosta = movimento que acontece em limite divergente (separa√ß√£o de placas causa desn√≠vel na crosta) e principalmente no interior das placas por for√ßas internas da din√Ęmica tect√īnica e desmoronamentos internos constantes durante milh√Ķes de anos.

serra do mar com cuesta

Foto de sat√©lite mostrando a escarpa da Serra do Mar (voltada para a baixada litor√Ęnea) que certifica o falhamento atrav√©s de movimento epirogen√©tico (a linha da parte mais alta do planalto √© a que mostra claramente que a rocha se rompeu formando ranhuras devido ao desnivelamento da crosta chamado de epirog√™nese). Fonte da figura: Turmalina, USP. Importante ressaltar que a Serra do Mar √© o resultado de movimento orogen√©tico da era Pr√©-Cambriana e tamb√©m de movimento epirogen√©tico acontecido nas eras Mesozoica e Cenozoica como explicados no par√°grafo que segue.

Observe que antes dos movimentos epirogen√©ticos acontecidos nas serras do Mar e Mantiqueira aconteceram movimentos orogen√©ticos h√° aproximadamente 550 milh√Ķes de anos antes da epirog√™nese. Portanto, nesse caso, tanto a orog√™nese pr√©-cambriana (antiga, no ciclo brasiliano h√° 650 milh√Ķes de anos) quanto a epirog√™nese mais recente (desde o cret√°ceo da era mesozoica h√° 70 milh√Ķes de anos at√© o terci√°rio e quatern√°rio da era cenozoica) contribu√≠ram para a forma√ß√£o dos dois planaltos citados. E √© por isso que o Brasil s√≥ possui montanhas velhas (orog√™nese da era Pr√©-Cambriana).

Dos movimentos que deslocam e deformam as rochas, denominados de tectonismo. Al√©m dos orogen√©ticos, j√° explicados, que resultam na forma√ß√£o de montanhas, temos os movimentos epirogen√©ticos que ocorrem em √°reas geologicamente mais est√°veis e significam o soerguimento ou rebaixamento da crosta, criando falhas (veja figura que segue) e provocando o fen√īmeno das transgress√Ķes e regress√Ķes marinhas.

Foto da falha de SanAndreas na Califórnia, EUA. Fonte das figuras: TERRA, Lygia; COELHO, Marcos Amorim. Geografia geral: o espaço natural e socioeconomico. São Paulo: Moderna, 2005, p. 175.

8 segundos de um Plano de falha tect√īnica em movimento.

Os processos de gera√ß√£o das cadeias orog√™nicas sempre ocorrem na superf√≠cie terrestre, √† semelhan√ßa do que acontece com a forma√ß√£o de bacias sedimentares. As sucessivas movimenta√ß√Ķes das placas tect√īnicas, ciclos erosivos pelos quais a crosta terrestre passou ao longo de sua hist√≥ria, fizeram surgir e desaparecer bacias sedimentares e cadeias montanhosas e at√© mesmo mudar a configura√ß√£o geogr√°fica dos continentes e oceanos. No Brasil, h√° registros da exist√™ncia de antigas bacias sedimentares pr√©-cambrianas, que encobriam parcialmente as √°reas crat√īnicas, e de cadeias orog√™nicas antigas (Pr√©-Cambriano), como o cintur√£o orog√™nico do Atl√Ęntico – Planalto Atl√Ęntico), englobando a serra do Espinha√ßo, em Minas Gerais; o cintur√£o orog√™nico de Bras√≠lia (Goi√°s-Minas) e o cintur√£o orog√™nico Paraguai-Araguaia (Mato Grosso-Goi√°s). Nesses cintur√Ķes orog√™nicos, o relevo brasileiro √© serrano, de grande complexidade litol√≥gica e estrutural.

Al√©m da orog√™nese e da epirog√™nese, o vulcanismo tamb√©m √© um movimento interno acontece nos limites das placas tect√īnicas (80% dos vulc√Ķes est√£o situados no c√≠rculo do fogo do Pac√≠fico que vai desde a Cordilheira dos Andes at√© as Filipinas, passando pelas costas ocidentais da Am√©rica do Norte e Jap√£o), assim como os abalos s√≠smicos (terremotos e maremotos ou tsunamis) que tamb√©m acontecem no encontro das placas e em limites de placas denominados transformantes, conservativos ou tangenciais.

Atividade Vulc√Ęnica no Brasil

O Brasil n√£o possui nenhum vulc√£o hoje. Mas isso n√£o quer dizer que nunca tivemos nossas montanhas de fogo. Nosso vulc√£o mais antigo j√° descoberto soltava lava na Amaz√īnia h√° 1,9 bilh√£o de anos (onde hoje √© a Serra do Cachimbo no sudoeste do Estado do Par√°, entre os rios Tapaj√≥s e Jamanxim). Os vest√≠gios da atividade vulc√Ęnica na Amaz√īnia (hoje cobertos por sedimentos posteriores) deixaram vest√≠gios at√© a serra de Roraima. Bem depois disso, cerca de 150 milh√Ķes de anos atr√°s (per√≠odo Jur√°ssico da era Mesozoica), havia na Am√©rica do Sul uma grande fissura que atingia livremente a superf√≠cie da crosta e ia do estado de Mato Grosso at√© a Argentina na regi√£o em que atualmente corre o rio Paran√° (a atual bacia do Paran√° teve 1 milh√£o de km¬≤ cobertos por rochas efusivas bas√°lticas).

Rochas efusivas basálticas em Torres/RS (tais falésias basálticas são muito presentes na costa do Rio Grande Do Sul), onde a espessura pode chegar a mais de 1.000 metros devido aos sucessivos derrames mesozoicos de lava e posteriores movimentos epirogenéticos. Fonte da foto: Baixaqui.

Da enorme rachadura que hoje √© o Rio Paran√° escorreu uma quantidade de lava que se acumulou da cidade de Santos (SP), em dire√ß√£o sul at√© a Argentina e a oeste at√© a cordilheira dos Andes, na maior atividade vulc√Ęnica do planeta para a √©poca. Outro exemplo curioso √© o da cidade de Po√ßos de Caldas (MG), que est√° situada na cratera de um vulc√£o extinto de 30km de di√Ęmetro. A atividade vulc√Ęnica mais ativa no Brasil da era Mesozoica aconteceu em¬†Po√ßos de Caldas e Arax√° (MG), Jacupiranga, Ipanema e S√£o Sebasti√£o (SP), Mendanha, Tingu√°, Itatiaia e Cabo Frio (RJ), Ipor√° (GO) e Lajes (SC).¬†A desagrega√ß√£o pelo intemperismo da rocha bas√°ltica resultante desse derramamento de lava formou o solo composto de terra roxa, o mais f√©rtil do Brasil.

pocosdecaldas

Delimita√ß√£o da cratera vulc√Ęnica onde a cidade de Po√ßos de Caldas est√° situada.

Portanto, entende-se que a atividade vulc√Ęnica no Brasil teve origem diferente da atividade vulc√Ęnica atual, pois a quantidade gigantesca de magma gerou basaltos muito homog√™neos ¬†sem forma√ß√£o de material pirocl√°stico a partir de fendas de grande profundidade (ge√≥clases), de forma que a zona magm√°tica profunda (composta de sil√≠cio e magn√©sio – sima) se comunica com o exterior (similar ao que acontece no Hava√≠: arquip√©lago situado no centro de uma placa, com grande atividade vulc√Ęnica por fendas na crosta em contato com o magma). Como consequ√™ncia da abertura direta, a press√£o do magma √© aliviada diminuindo a viscosidade, a velocidade¬†de escorrimento¬†e a viol√™ncia da erup√ß√£o. A erup√ß√£o – em diversos lugares – foi devido √†s for√ßas de tens√£o que continuaram a agir causando outras fendas e renovando o processo de derramamento e solidifica√ß√£o magm√°tica, formando espessuras consider√°veis.

Foto de sat√©lite do Morro de S√£o Jo√£o: de forma√ß√£o rochosa originada de atividade magm√°tica e similar a uma cratera vulc√Ęnica (formada pela chamada eros√£o diferencial) pr√≥xima a Rio das Ostras (balne√°rio a 170 km do Rio de Janeiro) no Estado do RJ. Significa que houve vulc√£o na regi√£o, mas o mesmo foi eliminado. O derramamento de magma que explica a forma√ß√£o rochosa das atuais regi√Ķes Sul e Sudeste do Brasil (exemplo da foto) foi abordado no par√°grafo anterior. Fonte da figura: Zeca Astr√īnomos;¬†fonte do fragmento de texto: Wikimapia.

A atividade vulc√Ęnica mais moderna (datada do per√≠odo Terci√°rio da Era Cenozoica), acontecida entre 35 milh√Ķes de anos at√© 1,7 milh√Ķes de anos, explica, por exemplo, as forma√ß√Ķes vulc√Ęnicas das ilhas de Fernando de Noronha e S√£o Pedro e S√£o Paulo, pertencentes ao Estado de Pernambuco (11,8 milh√Ķes de anos at√© 1,7 milh√Ķes de anos), Trindade e Martim Vaz no Esp√≠rito Santo (3,3 milh√Ķes de anos at√© 1,5 milh√Ķes de anos) e Abrolhos no Estado da Bahia (35 milh√Ķes de anos atr√°s).

Abrolhos. Rocha bas√°ltica-alcalina que sofreu eros√£o diferencial. As partes externas do aparelho vulc√Ęnico foram destru√≠das pela eros√£o.

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Morfologia, situa√ß√£o geogr√°fica e fotografia do arquip√©lago de S√£o Pedro e S√£o Paulo. Derramamento magm√°tico por fendas/fissuras na crosta e posterior forma√ß√£o bas√°ltica no final do Plioceno (cerca de 2 milh√Ķes de anos atr√°s) dentro do per√≠odo terci√°rio da era Cenozoica. Fonte da figura de morfologia: Wikim√©dia Commons. Fonte da figura de situa√ß√£o geogr√°fica: Portal G1.

fernando-de-noronha-pousadasA ilha de Fernando de Noronha (figura acima) teve sua forma√ß√£o no mesmo derramamento magm√°tico das ilhas S√£o Paulo de S√£o Pedro. A atividade vulc√Ęnica, nesse caso, aconteceu entre 23,3 e 1,6 milh√Ķes de anos atr√°s (Mioceno e Plioceno da era Cenozoica).

A Estrutura Geológica Brasileira

A estrutura geol√≥gica das terras emersas brasileiras √© constitu√≠da por bacias sedimentares (64%) e escudos cristalinos ou cr√°tons (36%), tectonicamente est√°veis. Por se encontrar no meio da placa tect√īnica Sul-americana, o Brasil n√£o possui dobramentos modernos. Os escudos cristalinos formaram-se na era Pr√©-Cambriana (Arqueozoico-Proterozoico); s√£o, portanto, antigos e apresentam altitudes modestas. Embora as rochas que constituem os escudos ou cintur√Ķes orog√™nicos sejam muito antigas (datadas do Pr√©-Cambriano entre 2 e 4,5 bilh√Ķes de anos), suas bacias sedimentares s√£o o resultado de deposi√ß√£o mais recente (era Mesozoica h√° 81 milh√Ķes de anos), com exce√ß√£o da Amaz√īnica sedimentada no Terci√°rio e do Pantanal no quatern√°rio. Na era Cenozoica (per√≠odo Terci√°rio, 8,5 milh√Ķes de anos) pela a√ß√£o da epirog√™nese – movimenta√ß√£o tect√īnica com lento soerguimento e rebaixamento de grandes √°reas da crosta -, o continente sul-americano sofreu soerguimentos desiguais em seu territ√≥rio permitindo que as bacias sedimentares brasileiras ficassem em n√≠veis altim√©tricos elevados. Seu modelado de formas arredondadas (serras do Mar e da Mantiqueira) resulta do intemperismo e da eros√£o que se sucederam por diferentes tipos de climas em per√≠odos da hist√≥ria geol√≥gica da terra. Para situar as eras citadas nesse par√°grafo volte √†¬†figura anterior de escala geol√≥gica de tempo, 1¬™ figura desse post.

Prov√≠ncias Estruturais Brasileiras. No interior dos escudos cristalinos brasileiros √© poss√≠vel distinguir n√ļcleos estruturados no Arqueoz√≥ico, que n√£o sofreram tectonismo orog√™nico desde o final dessa era, h√° cerca de 2,5 bilh√Ķes de anos. Os n√ļcleos arqueozoicos, dominados por massas rochosas mais antigas, s√£o chamados √°reas crat√īnicas ou simplesmente cr√°tons (estruturas geol√≥gicas bastante antigas, datadas da era/√©on Pr√©-Cambriana, formadas por rochas magm√°ticas e metam√≥rficas). No embasamento cristalino brasileiro, as prov√≠ncias estruturais Guiana Meridional, Xingu e S√£o Francisco s√£o identificadas como cr√°tons, pois se formaram no per√≠odo Arqueozoico da era Pr√©-Cambriana (ressalta-se que a maior parte dos livros did√°ticos de geografia generalizam toda a forma√ß√£o cristalina como cr√°ton, n√£o s√≥ as rochas cristalinas do Arqueozoico). Fonte da figura: TERRA, Lygia; ARAUJO, Regina; GUIMAR√ÉES, Raul Borges. Conex√Ķes: estudos de geografia do Brasil. S√£o Paulo: Moderna, 2009, p. 150, 151.

As principais províncias de minerais metálicos no Brasil (Quadrilátero Ferrífero, Carajás, Vale do Trombetas e Maciço do Urucum Рveja post aqui) formaram-se nas rochas cristalinas da era Pré-Cambriana e sua maior parte no período proterozoico que ocupa 4% do território (32% data do período arqueozoico, os chamados crátons). Mais de 90% das reservas petrolíferas datam das eras mesozoica e cenozoica e o carvão mineral da era paleozoica (período carbonífero).

As linhas em preto no mapa significam falhas que s√£o suscet√≠veis a tremores de terra devido √† diferen√ßas de densidade entre rochas que fazem parte da mesma placa tect√īnica. No Brasil, apesar do territ√≥rio estar na parte centro-oriental da placa tect√īnica Sul-Americana e n√£o estar sujeito a grandes terremotos, os tremores de terra de pequena magnitude (entre 3 e 5 graus na escala Richter) acontecem exatamente nessas falhas geol√≥gicas. Clique e veja reportagens de tremores acontecidos no Brasil em janeiro e outubro de 2010 (fonte das reportagens: portal G1). Esses desmoronamentos internos devido √†s diferen√ßas de densidade no interior da placa podem indicar um movimento epirogen√©tico em curso, que ir√° refletir em um desnivelamento da crosta milh√Ķes de anos √† frente.

A figura que segue auxilia na demonstra√ß√£o da converg√™ncia da Placa de Nazca com a Placa Sul-Americana (forma√ß√£o da Cordilheira dos Andes) e diverg√™ncia entre as Placas Americana e Africana (explica√ß√£o da separa√ß√£o de placas na deriva continental). O Brasil est√° situado na chave que indica a margem passiva, corroborando o que foi dito no par√°grafo anterior quanto ao Brasil possuir certa estabilidade tect√īnica por estar na parte centro-oriental da Placa Sul-Americana.

Fonte: TERRA, Lygia; ARAUJO, Regina; GUIMAR√ÉES, Raul Borges. Conex√Ķes: estudos de geografia do Brasil. S√£o Paulo: Moderna, 2009, p. 150.

Referências

ADAS, Melhem. Panorama geogr√°fico do Brasil. S√£o Paulo: Moderna, 2004.

LEINZ, Victor; AMARAL, Sérgio Estanislau do. Geologia Geral. 11.ed. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1989.

ROSS, Jurandir Luciano Sanches. Fundamentos da geografia da natureza. In: ROSS, Jurandir Luciano Sanches (org).  Geografia do Brasil. 5.ed. São Paulo: Edusp, 2005.

TERRA, Lygia; COELHO, Marcos Amorim. Geografia geral: o espaço natural e socioeconomico. São Paulo: Moderna, 2005.

TERRA, Lygia; ARAUJO, Regina; GUIMAR√ÉES, Raul Borges. Conex√Ķes: estudos de geografia do Brasil. S√£o Paulo: Moderna, 2009.


107 thoughts on “Estrutura Geol√≥gica do Brasil

  1. Muito legal, só queria saber qual é a estrtura mais antiga e o que se encontra nela em maior quantidade

    brigado
    abraços

    • Obrigado Arthur!
      A estrutura mais antiga √© o escudo cristalino (cr√°tons) composta por rochas √≠gneas ou magm√°ticas e metam√≥rficas. A maior quantidade nessa estrutura crat√īnica √© de rochas magm√°ticas.

    • Eu √© que agrade√ßo a visita Lee e a resposta a sua pergunta √© sim. Dobramento do per√≠odo proterozoico que est√° inserido na era pr√©-cambriana (veja fragmento abaixo).

      “Tal ciclo [o da regi√£o de dobramentos do Nordeste inclusive a Prov√≠ncia da Borborema] foi composto por uma s√©rie de eventos tectono-orogen√©ticos [ciclos orogen√©ticos], desencadeados no final do Proteroz√≥ico Superior, resultando na forma√ß√£o de unidades litoestruturais de rochas magm√°ticas consolidadas na parte superior da crosta.” Fonte: http://www.obt.inpe.br/pgsere/Sousa%20Jr-M-A-1998/capitulo4.PDF

      Espero ter ajudado. Até a volta!

  2. Oi, me tira uma duvida?
    Quais as principais caracteristicas da macroforma associada a regi√£o do Rio de Janeiro, sabendo que a regi√£o est√° situada numa faixa de dobramento.

    • Ol√° Erika!
      No litoral, a estrutura rochosa √© composta por rochas √≠gneas decorrente do derramamento de lava acontecido na era mesozoica. Com a separa√ß√£o da Pangeia, a press√£o interna modificou as condi√ß√Ķes de temperatura e press√£o formando tamb√©m rochas metam√≥rficas. Ainda nesse litoral, a plan√≠cie certifica a eros√£o da estrutura cristalina compondo uma bacia sedimentar costeira nas √°reas mais baixas. Na regi√£o serrana h√° composi√ß√£o rochosa cristalina da era pr√©-cambriana do per√≠odo proterozoico, com desgaste erosivo decorrente de movimento epirogen√©tico causador do falhamento da Serra da Mantiqueira acontecido no final da era mesozoica que se estendeu pela era cenozoica.

      Espero ter ajudado.

  3. Marcos, eu estava lendo seu blog da biblioteca e gostei muito do conteudo, tudo muito bem escrito e argumentado agrade√ßo voc√™ pelo grande trabalho que faz, voc√™ perde muito tempo nesse blog todos os dias pelos seus alunos admiro muito isso e tenho uma no√ß√£o de como √© dificil todos os dias olhar o blog, adicionar informa√ß√Ķes e responder alunos e mais uma vez obrigado voc√™ parece ser um grande professor tomara que nos encontremos no 3¬ļ ano.

    Abraços, Vitor (um pouco de redundancia não faz mal hehe).

    • Eu √© que agrade√ßo as palavras Vitor! Realmente d√° muito trabalho, mas o prazer tamb√©m √© grande em ajudar e nos manter sempre informados dos √ļltimos acontecimentos geogr√°ficos.
      Espero sim que nos vejamos no terceiro ano do Sigma/DF. Até lá!

  4. Caro Marcos Brandão, primeiramente gostaria de parabenliza-lo pelo site, gostei do link que fala sobre as moedas brasileiras. Porém, como sou estudante de geologia encontrei alguns erros neste link.

    Crosta terrestre e Litosfera não são a mesma coisa. A primeira se baseia numa classificação segundo aspectos químicos do planeta. A outra se baseia em aspectos reológicos das rochas (comportamento físico das rochas, estudados principalmente com base na velocidade de propagação de ondas sísmicas (terremotos).
    Por isso a Litosfera possui aproximadamente 60 km de espessura, compreendendo a crosta e parte do manto superior. A crosta mede aproximadamente 40 km quando √© continental e aproximadamente 7 quando √© oce√Ęnica.

    Proterozóico não é uma era geológica, mas um Eón, formado por três Eras Geológicas: Paleo-proterozoico, Mesoproterozoico e Neoproterozoico.
    A escala de Tempo Geol√≥gico √© formada pelos seguintes E√≥ns: Faneroz√≥ico, Proterozoico e Arqueano. Existe ainda o Hadeano, por√©m este √ļltimo E√≥n ainda n√£o aceitado por toda comunidade cient√≠fica.
    Lembre-se, no tempo geol√≥gico a maior classifica√ß√£o √© a de E√≥n. Eras portando formam um E√≥n. As eras est√£o subdivididas em Per√≠odos. Os Per√≠odos em √Čpocas. E as √Čpocas em Andares.

    Portnao, Pr√©-Cambrina tamb√©m n√£o √© uma Era. √Č apenas um termo usado para se referir a tudo que veio antes do Cambriano, o primeiro periodo do Fanerozoico. Logo, Pr√©-Cambriano compreende o E√≥n Proteroz√≥ico, Arqueano e o Hadeano.

    O Cambriano √© importante pois, antes deste per√≠odo √© extremanete raro achar f√≥sseis.No per√≠odo do Cambriano houve uma revolu√ß√£o na vida, pois os tivemos uma explos√£o de novas esp√©cies e os seres vivos passaram a ser algo comum no planeta. Antes do Cambriano temos apenas alguns f√≥sseis de vermes, encontrados apenas no deserto da Nan√≠bia e no Munic√≠pio de Corumb√°, MS. Exitem tamb√©m icnof√≥ssies de arqueobact√©rias,estes estes encontrados em v√°rias regi√īes do mundo. S√£o comuns no Distrito de Bezerras, em Formosa-GO

    Espero que tenha entendido. Escala de tempo geológico é algo que costuma causar muita confusão. Ela pode ser encontrada neste link. http://www.stratigraphy.org/column.php?id=Chart/Time%20Scale

    • Caro Eduardo,
      De antemão obrigado pelo elogio sobre o blog e post sobre o histórico da questão monetária brasileira.
      Antes da abordagem que segue é pertinente ressaltar que os escritos deste blog são fundamentados em renomados teóricos da academia universitária, e, como se volta principalmente para o Ensino Médio, também são usados livros didáticos dos mais variados autores e editoras para o enriquecimento da teoria. Por isso, agradeço novamente pelo tempo disponibilizado e preocupação em nos escrever apontando possíveis erros.
      A parte conceitual a que você se refere deste post sobre Estrutura Geológica do Brasil segue a teoria de dois renomados autores e professores doutores que escreveram um dicionário sobre o assunto e que está na sua terceira edição:

      GUERRA, Ant√īnio Teixeira; GUERRA, Ant√īnio Jos√© Teixeira. Novo dicion√°rio Geol√≥gico e Geomorfol√≥gico. 3.ed. Rio de Janeiro: Bertrand, 2003.

      O primeiro Guerra foi professor da UFRJ, UFF e UERJ e geógrafo do IBGE. Faleceu em 1968. O segundo Guerra é doutor pela Universidade de Londres e pós-doutor pela Universidade de Oxford. Hoje é professor da UFRJ, onde trabalha com essa temática desde 1986.
      Vamos ao que a obra de Guerra e Guerra (2003) aborda quanto ao conceito de crosta e litosfera:
      ‚ÄúCrosta da terra ‚Äď Parte s√≥lida do globo terrestre tamb√©m chamada de litosfera (esfera de pedra). A sua espessura √© calculada em cerca de 60 a 100 quil√īmetros (GUERRA; GUERRA, 2003, p. 173). Litosfera ou esfera de pedra ‚Äď Parte s√≥lida da crosta terrestre cuja espessura m√°xima, segundo Suess, √© avaliada em 60 a 120 quil√īmetros […] O geomorf√≥logo tem, como campo de observa√ß√£o, a crosta superficial terrestre, isto √©, a litosfera […] O estudo da litosfera √© de import√Ęncia tanto para a geologia como para a geomorfologia, devido, principalmente, aos seguintes fatos: […] 2 ‚Äď A litosfera √© a camada da crosta terrestre cujas formas topogr√°ficas dependem dos agentes geol√≥gicos ex√≥genos e end√≥genos (GUERRA; GUERRA, 2003, p. 399, 400).‚ÄĚ
      Com o que foi grafado anteriormente, nota-se claramente que a litosfera faz parte da crosta terrestre que é também chamada de litosfera.
      Quanto √† discuss√£o geol√≥gica sobre os √©ons, eras, per√≠odos e √©pocas voc√™ tem uma parcela de raz√£o, mas ainda citando Guerra e Guerra (2003, p. 227, 228) classificam em sua tabela e abordagem ‚ÄúEra Pr√©-Cambriana (arqueozoica + proterozoica)‚ÄĚ. A parcela de raz√£o est√° dentro da discuss√£o (ou confus√£o como voc√™ definiu) te√≥rico-acad√™mica em que os autores-especialistas no assunto n√£o chegam a um consenso, e mesmo n√£o sendo ge√≥logo, tamb√©m n√£o posso ser positivista a ponto de tratar os conceitos e seus poss√≠veis encaixes, al√©m da discuss√£o sobre eles, como inertes.
      Parafraseando-o, espero que tenha entendido.
      Cordialmente,
      Prof. MSc. Marcos Brand√£o.

  5. Queria saber √°reas est√°veis na crosta terrestre , n√£o consigo achar :s ou eu que n√£o li direito . Enfim , e explicar as causas dessa instabilidade , queria saber isso , se puder (:

  6. Me desculpe, mas esses autores que o senhor citou também fizeram confusão. A explicação da diferença crosta e litosfera está presente nos seguintes livros (que são inclusive de renomados autores internacionais) e no site da do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas:

    http://www.sismo.iag.usp.br/sismologia/tectonica.php

    Igneous and Metamorphic Petrology, 2nd Edition. Myron G. Best

    Principles of Igneous and Metamorphic Petrology, 2/E John D. Winter, Whitman College

    Introduction to Physical Geology, 1997 Graham R. Thompson and Jonathan Turk

    W. M. White. Geochemistry 2007

    • Caro Eduardo,
      O link que voc√™ me enviou do laborat√≥rio de sismologia da USP n√£o explica a diferen√ßa entre crosta e litosfera, e muito pelo contr√°rio, afirma que “A Terra √© constitu√≠da por uma fina crosta, um manto espesso e um n√ļcleo.” Na quarta figura do seu link nota-se que a localiza√ß√£o da crosta est√° no mesmo n√≠vel da litosfera, corroborando o que j√° te respondi (a litosfera faz parte da crosta).
      Na Academia as coisas n√£o s√£o t√£o simples assim quanto voc√™ escreve (“mas esses autores que o senhor citou tamb√©m fizeram confus√£o”). Os autores que citei s√£o das maiores autoridades te√≥ricas no assunto com diversos livros publicados, e s√£o tamb√©m seguidos pela grande maioria dos autores que escrevem para as grandes editoras do Ensino M√©dio.
      Se pudesse te dar um conselho: diria que essa briga teórica não é sua, ainda (forme-se, titule-se e depois conteste teorias consagradas em um doutoramento Рé assim que muitos autores crescem e fazem a ciência crescer).
      Essa briga também não é minha (não sou geólogo, e sim geógrafo). Apenas estamos fundamentados em grandes autores sobre esse assunto. Se estão certos ou errados? Sinceramente não me interessa, pois o que acho mais importante é a discussão processual.

      Cordialmente,
      Prof. MSc. Marcos Brand√£o.

  7. Eu não quero brigar com ninguem. Nem sou o doutor da razão. Apenas quis informar um erro. Eu realmente acho que esses autores fizeram confuzão. Estudo estes conceitos todos os dias.EU não digo isso por mim, mas por conta de professores e de autores de livro. O próprio glossário geológico do Instituto de Geociencias da UnB faz distinção entre litosfera e crosta:
    http://vsites.unb.br/ig/glossario/

    Mas n√£o vou iriei mais insistir neste assunto.

    De resto Parabéns pelo blog e seu trabalho

    • Eduardo,
      Eu é que peço desculpas agora, mas serei obrigado a encerrar essa discussão aqui.
      Mesmo porque você se contradisse DE NOVO. No dicionário da UnB que você me mandou (http://vsites.unb.br/ig/glossario/) olha literalmente o que está escrito.

      “Crosta: Parte superior da litosfera…” em http://vsites.unb.br/ig/glossario/verbete/crosta.htm
      “Litosfera: Geosfera rochosa r√≠gida, com cerca de 100 km de espessura, que capeia a Terra e que inclui a crosta terrestre e a por√ß√£o superior do manto (manto litosf√©rico).” em http://vsites.unb.br/ig/glossario/verbete/litosfera.htm

      Os grifos s√£o meus, “corroborando [novamente] o que j√° te respondi (a litosfera faz parte da crosta).”

      Estudando acredito que esteja, mas entendendo… A√≠ √© outro departamento.
      Sem mais,
      Prof. MSc. Marcos Brand√£o.

      Ps: depois dessa, sinceramente fiquei curioso para saber onde voc√™ estuda…

  8. Boa noite Marcos!

    Estava precisando da sua ajuda! Olha só, terias como fazer uma breve caracterização das três províncias geoestruturais brasileiras considerando: nome; localização geografica; idade aproximada de formação; as características geologicas e sua gênese?!
    Pois n√£o estou com muita dificuldades de formular esta quest√£o. Se poderes me ajudar ficarei eternamente agradecida!
    Abraços.

    • Jessica,
      Peço desculpas em não poder ajudar, pois a resposta na profundidade teórica que você quer é direcionada a um geólogo. Como geógrafo (mestre em urbano-regional), o material de geologia que disponibilizo é teoricamente superficial e para Ensino Médio.
      Talvez o que procura você encontre na clássica obra Geologia Geral dos autores Viktor Leinz e Sérgio Estanislau Do Amaral.
      Abraço,

  9. Caro Marcos Brand√£o,

    Primeiramente goataria de parabeniz√°-lo pelo site. Sou estudante de Engenharia civil e estou fazendo um trabalho sobre a Geologia do Brasil. Gostaria de um material que abrangesse tudo sobre a Geologia do Brasil. Tem sugest√£o de algum livro ou site?

    Desde já agradeço,

    J√ļnio

  10. Eu queria ajuda para fazer um fichamneto de leitura, o assunto é os fundamnetos da geografia da natureza ..eu não sei como fazer se puderem me ajudar agradeço.

  11. Caro Marcos,

    Parabens que grande homem és. Que profissional dedicado, que entrega!
    Quando a escola atual formará outros assim? (fala de professor regente E.Médio). O pensamento utilitarista é um grande mal para nossos jovens.
    Li o “embate” com o Eduardo a repeito da litosfera, e eras geol√≥gicas. Brilhante o conselho para que se situe com clareza entre a observa√ß√£o e o credenciamento e principalmente o caminho para criticas.
    Desejo-lhe saude e suceso e que por aqui esteja por longo tempo.

    • Obrigado, de verdade muito obrigado pelas palavras Jose Geraldo.
      Vejo a teoria em ci√™ncias humanas com parcim√īnia e a discuss√£o como objeto de crescimento.
      Quanto aos jovens, a paciência é o melhor caminho para fazê-los chegar à maturidade científica.

  12. Primeiramente gostaria de parabeniz√°-lo pelo site. Estou precisando da sua ajuda! Queria saber o conceito de escudos residuais e diferenci√°-los dos escudos antigos ou cristalinos ou s√£o a mesma coisa?

  13. Boa tarde, professor, é possível afirmar que um vulcão pode entrar em erupção por causa da ocorrênca de um terremotos em sua proximidade? Por que?

  14. pf Marcos, boa noite!
    Ficaria grato se me ajudasse
    Tenho uma duvida sobre os “matac√Ķes”.
    Estes tem a sua ontologia nos intemperismos fisicos ou quimicos?
    Tenho lido em algumas fontes, pouco confiáveis, que indicam as duas possibilidades sendo erosão fluvial intemperismo fisico e esfoliação esferoidal, químico. Todavia uma prova da consultec dizia o contrario sobre a esfoliação esferoidal.
    Outra duvida: Laterização e lixiviação, são considerados intemperismos?
    desde ja agradeço pela regular manutenção do blog.

    • Ol√° Sam,
      Desde j√° obrigado pelas palavras. Tento manter a regularidade nas respostas mesmo meu tempo sendo cada vez mais curto.
      Quanto √† d√ļvida, os matac√Ķes est√£o ligados ao intemperismo qu√≠mico (inclusive por esfolia√ß√£o esferoidal) que √© predominante para formar o arredondamento da rocha. Conforme Adas (2004, p. 374), “o intemperismo qu√≠mico n√£o √© somente o agente de forma√ß√£o de matac√Ķes, ou ‘bolas de rochas compactas’, mas tamb√©m do relevo arredondado, das meias- laranjas ou dos mares de morro das regi√Ķes tropicais √ļmidas, como ocorre em parcelas do territ√≥rio brasileiro” [grifos no original] (Morro do P√£o de A√ß√ļcar no RJ √© um exemplo).
      Um dos dicionários que uso é o Glossário Geológico da UnB que neste caso versa na mesma linha de Melhem Adas Рhttp://vsites.unb.br/ig/glossario/verbete/matacao.htm

      Lateriza√ß√£o √© resultante da lixivia√ß√£o que causa enriquecimento do solo em hidr√≥xidos de ferro e alum√≠nio. Portanto, lixivia√ß√£o √© um dos sin√īnimos de intemperismo qu√≠mico, mas lateriza√ß√£o n√£o √© intemperismo e sim a forma√ß√£o de laterita em climas semi-√ļmidos.

      Referência: ADAS, Melhem. Panorama geográfico do Brasil. 4.ed. São Paulo: Moderna, 2004.

  15. outra duvida: Em regi√Ķes com estrutura geologica antiga, como o brasil, pode ocorrer movimento orogen√©tico ou apenas movimentos epirogen√©ticos ocorrem?

  16. Senti-me contemplado com o seu afinco para com as respostas. Muito obrigado pela vossa aten√ß√£o dispensada √†s minhas d√ļvidas. ja me sinto √† vontade para tornar o seu tempo ainda mais curto com os imbr√≥glios que forem surgindo por aqui hehehehe.
    Sauda√ß√Ķes Marcos.

  17. Marcos veja essa quest√£o:
    Segundo Magnoli, “o modelo de transi√ß√£o demografico exprime o intervalo entre dois padr√Ķes contrastantes de crescimento populacional”.
    Com base nessa afirmação e nos conhecimentos acerca do crescimento demografico mundial e brasileiro, pode-se afirmar:
    01) o primeiro padrao de crescimento populacional, tipico das sociedades pós segunda guerra mundial, apresenta baixas taxas de natalidade e mortalidade e baixo crescimento vegetativo.
    02 ) a transi√ß√£o demogr√°fica no brasil se iniciou ap√≥s a primeira revolu√ß√£o industrial, em virtude da melhoria das condi√ß√Ķes sanit√°rias, provocando um rapido crescimento vegetativo, resultante da redu√ß√£o da natalidade.
    03) a segunda fase da transição demografica ocorre, em geral, associada à urbanização, que propicia a queda da natalidade, levando a um processo de desaceleração demográfica
    04) o segundo padrao de crescimento demografico, tipico de sociedades pré-urbanas, apresenta altas taxas de natalidade e mortalidade e lento crescimento vegetativo
    05) a transi√ß√£o demog¬īrafica, no brasil, estar√° concluida quando todas as regioes do pa√≠s atingirem uma taxa de crescimento vegetativo zero.

    Sinceramente não consegui entender porque a alternativa correta no gabarito é a terceira. Também nao achei nehuma das outras alternativas coerentes, mas estou me baseando no modelo de tompsom.

    Salve-me marcos. hehehe

    • Sam,
      O gabarito √© o 03 porque a transi√ß√£o da popula√ß√£o para o meio urbano √© signific√Ęncia de melhores condi√ß√Ķes sanit√°rias que leva √† queda da natalidade. Sobre as fases da transi√ß√£o demogr√°fica, a primeira taxa a baixar √© a de mortalidade, e com a baixa na natalidade haver√° a desacelera√ß√£o demogr√°fica a que a quest√£o se refere. No item, onde se l√™ ‘segunda fase’ mudaria para ‘terceira fase’, pois seria mais correto o contexto.

      Só não entendi o que o Modelo de Thompson Рcitado por você Рtem a ver com isso.

  18. ok marcos, é por isso mesmo a minha duvida quanto segunda e não terceira fase. Eu acredito que na segunda fase teriamos a queda significante da mortalidade e que as taxas de natalidade continuariam altas e por consequencia teriamos um rapido crescimento vegetativo.
    Então é isso não é?
    E na forma como a alternativa se apresenta n√£o gera erro?
    pode-se dizer ent√£o que isso ocorre logo na segunda fase de transi√ß√£o? -acredito que a dial√©tica da sociedade √© t√£o existente como a de todas as coisas e seres, mas tenho medo dessa rigidez da did√°tica secundarista que divide os fenomenos e fatos para “facilitar” a compreens√£o.
    quanto a Thompson n√£o seria esse o dem√≥grafo estadunidense Warren Thompson? que no ano de 1929 observou as mudan√ßas que tinham experimentado nos √ļltimos duzentos anos as sociedades industrializadas com respeito √†s taxas de natalidade e de mortalidade e formulou a teoria da transi√ß√£o demogr√°fica segundo a qual uma sociedade pr√©-industrial passa, demograficamente, por 4 est√°gios antes de derivar numa sociedade p√≥sindustrial.
    Grato professor!

  19. ok marcos, é por isso mesmo a minha duvida quanto segunda e não terceira fase. Eu acredito que na segunda fase teriamos a queda significante da mortalidade e que as taxas de natalidade continuariam altas e por consequencia teriamos um rapido crescimento vegetativo.
    Então é isso não é?
    E na forma como a alternativa se apresenta n√£o gera erro?
    pode-se dizer ent√£o que isso ocorre logo na segunda fase de transi√ß√£o? -acredito que a dial√©tica da sociedade √© t√£o existente como a de todas as coisas e seres, mas tenho medo dessa rigidez da did√°tica secundarista que divide os fenomenos e fatos para ‚Äúfacilitar‚ÄĚ a compreens√£o.
    quanto a Thompson n√£o seria esse o dem√≥grafo estadunidense Warren Thompson? que no ano de 1929 observou as mudan√ßas que tinham experimentado nos √ļltimos duzentos anos as sociedades industrializadas com respeito √†s taxas de natalidade e de mortalidade e formulou a teoria da transi√ß√£o demogr√°fica segundo a qual uma sociedade pr√©-industrial passa, demograficamente, por 4 est√°gios antes de derivar numa sociedade p√≥sindustrial.
    De toda forma acho que me expressei de maneira d√ļbia.
    Retificando: modelo teórico de transição demografia.
    O senhor deve ter feito a liga√ß√£o com o outro thompson. Aquele do “modelo at√Ķmico”.
    Desculpe-me pela falta de objetividade.
    Grato professor!

  20. Olá , parabéns pelo blog,
    Pergunta: Quais as maiores bacias de interior crat√īnico brasileiras?
    Obrigada desde já. Se possível me enviar tópicos em livros que eu possa estudar.

    • Regi,
      Em nenhuma das bacias sedimentares brasileiras o interior √© crat√īnico. O cr√°ton fica logo abaixo da bacia que tamb√©m √© chamado de embasamento cristalino.
      As maiores bacias s√£o: Amaz√īnica, Meio-Norte e Paranaica.

  21. Em todo site que eu procurei, s√≥ explicava o fato de o Brasil ter terremotos fracos por que estava londe dos limites das placas e esse site aqui fala que √© tamb√©m por causa das falhas tect√īnicas.

    • Leth√≠cia,
      A explora√ß√£o mineral retira suas riquezas do solo e do subsolo, portanto afeta no assoreamento dos rios, na retirada da cobertura vegetal e na contamina√ß√£o direta dos solos por produtos usados pela minera√ß√£o (no caso do garimpo, o merc√ļrio). Tudo isso compromete o ambiente como um todo, al√©m da sa√ļde do homem. Veja tamb√©m mat√©rias sobre os √ļltimos vazamentos de petr√≥leo nos oceanos.

  22. Obrigada por responder!! Tenho outra pergunta.
    Que outra explicação eu poderia ter para explicar o fato de no Brasil só ocorrerem terremotos fracos e moderados, sem a explicação do limite das placas?

    • Principalmente a partir de eras geol√≥gicas anteriores (desde a Pr√©-Cambriana) quando esses eventos ajudaram a modelar a superf√≠cie terrestre (caso do tectonismo) e foram formando as placas e suas jun√ß√Ķes onde acontece o vulcanismo (o derramamento de lava formou muitas rochas √≠gneas da crosta que por sua vez formaram as metam√≥rficas e com a eros√£o vieram as rochas sedimentares).

  23. Muito legal esse site!!!
    Eu gostaria de saber qual é localização da estrutura geológica???
    Eu acho que ate tem aqui mas √© que eu estava com um pouco de pressa e nem olhei direito…

  24. ADOREI SEU BLOG PROFESSOR!!! ESTOU CURSANDO GEOGRAFIA E ME FORMO ANO QUE VEM. VOU FAZER GEOLOGIA. J√Ā SOU PROFESSORA E PSICOPEDAGOGA E UMA APAIXONADA POR GEOGRAFIA. √Č MARAVILHOSO ENCONTRARMOS PESSOAS T√ÉO INTERESSADAS PELO ASSUNTO E TAMB√ČM T√ÉO CAPAZES NO QUE FAZEM.
    FOI UM PRAZER LHE ENCONTRAR E GOSTARIA MUITO DE TER UM PROFESSOR IGUAL A VOCÊ
    MUITO ABRIGADA

  25. gostaria de parabenizar o autor do site pelo conteudo!S√£o pouquissimos os sites na internet cm um conteudo t√£o claro e facil de compreender.
    estou me preparando para o enem e fico comparando uma aula com um site sobre o conteudo dado na aula,o seu foi o mais semelhante.

  26. Caro Marcos Brandão, venho lhe pedir um favor se possivel de ser realizado. Estou cursando o curso de Eng. Minas etenho que apresentar um seminário no qual o tema é O mapa geologico do Brasil e suas principais provincias minerais. teria como vc esta me ajudando em me enviar algum material para conclusao deste trabalho. desde já agradeço pela sua atenção seu blog é de mt importancia para aqueles que realmente desejam estudar. parabens

    kristiannosabran@oi.com.br

  27. bom dia! sr.Marcos Brandao sou sergio de belem do para e me interessei pelo seu conhecimento especifico e queria saber de sua opiniao sobre a energia solar que a terra absorve atraves do seu nucleo e depois a expulsa em quantidades maiores do que recebeu originando os movimentos das placas tectonicas pela absor√ßao .essa teoria de um colega seu de sua area,muito intriga a logica ja que nesse ano o sol esta em seu maximo e a terra com excesso de terremotos ate em lugares improvaveis como nos E.U.A…..agrade√ßo a paciencia..obrigado!

  28. Professor, parab√©ns pelo trabalho deste site. J√° visitei muuitos sites de geografia, al√©m de ler livros, enfim, e digo que este site est√° entre meus prediletos. Voc√™ facilita nosso estudo, pois tr√°s informa√ß√Ķes de v√°rias fontes. Obrigada! ps:Precisamos de mais professores como voc√™.

  29. Boa Tarde!
    Tenho uma pergunta.
    A Epirogênese que formou a Bacia sedimentar do Amazonas, assim como a do Paraná, é positiva ou negativa?

    • Ol√° Willer,
      Pelo que sei a Bacia Amaz√īnica n√£o se formou por epirog√™nese. A do Paran√° sim, os movimentos epirogen√©ticos soergueram os sedimentos formando um planalto.

    • Ol√° Iara,
      Veja no final do post os √≠cones ao lado do ‘Compartilhe isso’, pois um deles √© o √≠cone de imprimir.

  30. Ol√° Marcos,
    tenho uma d√ļvida, j√° que o Brasil encontra-se no centro de uma placa Tect√īnica e n√£o corre riscos de tremores de terra muito fortes; ent√£o qual a explica√ß√£o para os tremores ocorridos em Montes Claros MG que chegaram a 4 pnts na escala Richter?
    Obrigada.
    Parabéns pelo blog!

    • Hevelyn,
      Eu é que agradeço a visita e comentário!
      Quanto √† sua d√ļvida veja no √ļltimo mapa as marcas em preto que significam falhas no meio da placa devido √†s diferentes densidades das rochas que geram desmoronamentos internos causando tremores de pequena magnitude.

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