Japão – Geopolítica da atualidade

Leia também: O mundo visto pelo Japão


HISTORIA

A época mais remota da história do povoamento japonês pode ser dividida em três períodos: pré-Jomon (ou pré-­cerâmico, que corresponde ao período paleolítico, datado de 30 mil a 10 mil anos atrás), Jomon (cerca de 7500 a 300 a.C.) e Yayoi (300 a.C. a 300 d.C). No século IV da Era Cristã, o clã Yamato unifica os vários Estados do país sob um único imperador. Os japoneses mantêm-se durante séculos relativamente isolados do exterior. No século XII, o crescimento da aristocracia militar (os samurais) abala a monarquia. O território passa a ser dominado por xoguns, senhores feudais, que permanecem no poder até o século XIX. Em 1603, o xogum Ievasu Tokugawa estabelece a capital em Edo (atual Tóquio), proíbe o cristianismo, que começava a florescer por causa dos missionários jesuítas, e fecha o país a estrangeiros. Nos 250 anos seguintes, o único ponto de contato com o Ocidente é um pequeno posto comercial em Nagasaki.

O território japonês é composto por 4 principais ilhas (Hokkaido, Honshu, Shikoku e Kyushu) e 3000 ilhas menores,  com 127,2 milhões de habitantes em 2009 e PIB de US$ 5 trilhões, comandados por uma Monarquia Parlamentarista com suas relações exteriores ligadas à organizações como: Apec, Banco Mundial, FMI, G-8, OCDE, OMC e ONU. (clique no mapa para uma melhor visualização).

IMPERIALISMO

Na segunda metade do século XIX, o Japão é forçado pelos norteamericanos (em 1853, sob o comando do comodoro Matthey Perry) a abrir os portos ao comércio externo. Em 1868 o regime do xogunato é deposto e começa a Era Meiji: assume o imperador Mutsuhito, que abole o feudalismo. Resistente ao imperia­lismo ocidental, no fim do século o país dá início à própria expansão. Vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894/1895), em que disputa o controle da Coreia. Com a vitória militar, recebe as ilhas de Taiwan (Formosa) e dos Pescadores, além de volu­mosa indenização. Por manter o interesse na Coreia, o Japão entra em guerra com a Rússia (1904/1905). Novamente vitorioso, consolida-se como potência e prossegue sua expansão imperialista.

Exerce influência sobre Manchúria (China), Coreia – transformada em co­lônia em 1910 – e Sakalina (ilha que hoje pertence à Federação Russa). Nos anos 1920, a crise econômica abre caminho para o nacionalismo de direita, que se torna dominante no governo. Em 1931, o Japão invade a Manchúria, onde estabe­lece o Estado fantoche do Manchukuo, em que o último imperador chinês, Pu Yi, é entronado em 1934. A ocupação da região da Manchúria impulsionou o desenvolvimento industrial japonês devido às vastas reservas de ferro e carvão mineral.

Fonte: MAGNOLI, Demétrio. O mundo contemporâneo. 2.ed. SãoPaulo: Atual, 2008, p. 228. (clique na imagem para uma melhor visualização).

Na II GUERRA MUNDIAL começada em 1939, o governo militarista japonês alia-se à Alemanha e à Itália em 1940 e ocupa a Indochina francesa no ano seguinte. A expansão militar coloca o Japão em choque com os Estados Unidos (EUA). Em dezembro de 1941, os japoneses realizam um ataque-surpresa e destroem a esquadra norte-americana ancorada em Pearl Harbor, no Havaí (vide vídeo que segue). O Japão toma o sudeste da Ásia e a maior parte do Pacífico Ocidental (Indochina, Indonésia e Filipinas), mas é derrotado pelas forças aliadas e retira-se das áreas ocupadas. A rendição só ocorre em setembro de 1945, após a explosão das bombas atômicas jogadas pelos EUA em Hiroshima (6 de agosto) e em Nagasaki (9 de agosto).

Vídeo de 2 min do ataque japonês em 7 de dezembro de 1941 a base norteamericana de Pearl Harbor no Havaí.

Os norte-americanos ocupam o Japão até abril de 1952 e impõem uma Constituição e um sistema de governo nos moldes das democracias ocidentais (o país passaria a ter apenas forças de Autodefesa no lugar de forças armadas). O Japão assina, em 1954, um tratado de defesa mútua com os EUA, que inclui a instalação de bases militares norteame­ricanas, isto é, abrigava-se sob o “guarda-chuva nuclear” norteamericano. Um sistema clientelista garante o domínio do Partido Liberal Democrático (PLD – partido conservador aliado das grandes corporações e da poderosa burocracia japonesa) a partir de 1955.

O período do pós-guerra é marcado por um vertiginoso crescimento econômico pautado na poupança interna e na conquista de mercados externos.

O baixo custo da força de trabalho e a poupança popular se encarregavam do aumento de produção e investimento em tecnologia a partir de instituições fortemente capitalizadas. As exportações pautaram-se em uma política agressiva, fundamentada na subvalorização da moeda local, o iene.

A evolução industrial se deu em três fases no pós-guerra: 1. Indústrias de base como a têxtil, siderurgia e construção naval; 2. Indústria eletrônica, de consumo e automobilística; 3. A microeletrônica, informática e robótica inseridas na revolução tecnocientífica e informacional remodelando e automatizando a produção automobilística (para um melhor entendimento leia sobre o toyotismo surgido a partir da década de 1970 no Japão).

Tanto a agricultura de peque­na escala quanto a indústria expressam as mudanças na economia. Os produtos de alta tecnologia passam a ser a marca da indústria japonesa, sobretudo a partir da década de 1960, o auge do chamado “milagre japonês”. Em 1964, Tóquio sedia os Jogos Olímpicos, ao mesmo tempo em que inaugura o trem-bala.

A expansão econômica e o aumento dos custos internos levam o Japão, na década de 1970, a investir também fora do seu território, nos chamados NPIs asiáticos ou Tigres Asiáticos (Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura, Hong Kong, Malásia, Tailândia e Indonésia). A partir de 1980, os investimentos japoneses chegaram à China.

CRISE ECONÔMICA

O Japão enfrenta uma crise de grandes proporções nos anos 1990. O crescimento da década anterior – assentado na acelerada automação da indústria – levara os bancos a dispor de muitos recursos, que, investidos no mer­cado imobiliário e na Bolsa de Tóquio, propiciam a supervalorização de ativos (imóveis, ações etc) que serviram como garantias de empréstimos, ou seja, a chamada bolha especulativa. A crise eclode em 1991, quando os preços desses ativos desabam, dificultando o pagamento dos emprésti­mos. Sem conseguir receber os créditos, o setor bancário é o mais prejudicado.

No decorrer da década, o Produto Interno Bruto (PIB) japonês apresenta baixo crescimento. O país não acompanha a revolução tecnológica da informação e das telecomunicações que leva à criação de empresas gigantes nesse setor, sobretu­do nos EUA, na Coreia do Sul e em outros países do Sudeste Asiático. Em 1997, a crise financeira internacional iniciada na Ásia atinge duramente o Japão.

CORRUPÇÃO

Denúncias de corrupção acompanham a vida política japonesa desde a renúncia e a prisão do primeiro­ministro Kakuei Tanaka, em 1974, mas não põem fim à hegemonia do PLD. Nos anos 1980 irrompe um conflito comercial com os EUA por causa do protecionismo japonês e do desequilíbrio da balança comercial entre os dois países, desfavo­rável aos norte-americanos. Em janeiro de 1989 morre o imperador Hiroíto, no trono desde 1926, substituído pelo filho Akihito. Em 1993, novas revelações de corrupção provocam cisão no PLD, que perde poder nos anos seguintes, até voltar a chefiar o governo, em 1996.

TROCA DE GOVERNO

O primeiro-ministro Keizo Obuchi (PLD) sofre um derrame cerebral em abril de 2000 e morre no mês seguinte, aos 62 anos. Eleições realizadas em junho dão vitória ao PLD, que indica Yoshiro Mori como primeiro-ministro.

FATOS RECENTES

O fracasso dos pacotes de recuperação econômica leva Mori a renunciar. Ele é substituído em 2001 por Junichiro Koizumi, cujo programa é promover privatizações, reformar o sistema financeiro e reduzir gastos públicos.

SOMBRAS DO PASSADO

As ações do Exército japonês durante a II Guerra Mundo continuam causando atrito com os países, vizinhos. As tensões com China e Coreia do Sul se acirram com visitas de Koizumi ao Santuário Yasukuni. Construído 1869, esse memorial militarista homenageia heróis de guerra japoneses, entre ­os quais alguns considerados criminosos de guerra.

TROPAS NO IRAQUE

Em 2003, Koiz­ declara apoio aos EUA na guerra contra o Iraque e, em 2004, contribui com envio de um contingente de soldados para operações de retaguarda, no maior deslocamento militar do Japão desde a II Guerra mundial. A decisão é polêmica, pois a Constituição japonesa não per­mite a participação de seus soldados em conflitos internacionais. A alegação do governo é que as tropas não estão desenvolvendo ações armadas. ­Sob pressão, o governo japonês retiraos soldados do Iraque em 2006.

ELEIÇÕES

Nas eleições de 2003 para a Casa dos Representantes (câmara baixa), o PLD e seus aliados, o Partido Novo Komeito e o Novo Partido Conservador (depois absorvido pelo PLD), conquistam 279 das 480 cadeiras. O oposicionista ­Partido Democrático do Japão (PDJ elege 177 parlamentares. Nas eleições parciais para a Casa dos Conselheiro (câmara alta), em 2004, o PLD conquista apenas 49 das 121 cadeiras em disputa enquanto o PDJ obtém 50. Apesar disso, a coalizão governamental mantém a maioria no Parlamento.

REFORMAS

Em 2004, o Parlamento aprova a reforma da Previdência, que aumenta o valor das contribuições e corta benefícios – o argumento do governo é que, com o envelhecimento da população, a mudan­ça é essencial para evitar o colapso do sistema. No ano seguinte entra em pauta a proposta de privatização dos correios. Além de enviar cartas, o serviço postal japonês é um banco de poupança estatal, com patrimônio de mais de 3 trilhões de dólares. Por dispor de tanto dinheiro, o correio torna-se foco de transações finan­ceiras suspeitas entre políticos e empresas. Considerada fundamental para o governo, a proposta não passa no Parlamento. Numa manobra arriscada, Koizumi dissolve a Casa dos Representantes e convoca elei­ções antecipadas em 2005. O PLD de Koizumi vence, obtendo 296 das 480 cadeiras em disputa, contra 113 do PDJ. O Novo Komeito, aliado do PLD, elege 31 parlamentares. Vitorioso nas urnas, o primeiro-ministro força o Parlamento a aprovar a privatização.

GOVERNO ABE

Em 2006, Koizumi encerra seu mandato com 50% de aprovação, o índice mais alto entre todos os primeiros ­ministros do pós-guerra. O PLD indica Shinzo Abe para premiê. Ele assume o governo com o objetivo de aprofundar as reformas na economia e procura ini­ciar uma aproximação com a China e a Coreia do Sul. O governo de Abe, porém, é abalado profundamente por escândalos de corrupção que atingem alguns de seus ministros. Um deles, o da Agricultura. suicida-se em maio de 2007.

Enfraquecido por sucessivas crises, o PLD sofre uma derrota histórica nas elei­ções para metade das 242 cadeiras na Casa dos Conselheiros, em julho. Ao eleger 60 parlamentares, o oposicionista PDJ passa a somar 112, superando os 105 da coalizão governista. É a primeira vez na história do Japão que o PLD perde o controle da Casa. Com a popularidade em baixa, e pressionado por denúncia de corrupção, Abe pede demissão em setembro.

GOVERNO FUKUDA

Yasuo Fukuda (PLD) e eleito pela Casa dos Representantes o novo primeiro-ministro japonês. Ele assume em difícil situação política, pois a oposição, com sua maioria na Casa dos Conselheiros, possui forte poder de obstrução dos projetos do governo. O novo premiê sofre a primeira derrota ao não conseguir, na câmara alta, prorrogar apoio japonês às ações dos EUA no Afeganistão – abastecimento por meio de aviões no oceano Índico. A missão é inter­rompida em novembro, mas, após com­,nlicadas negociações com o Legislativo, ela é liberada em janeiro de 2008.

OKINAWA

Um marine norte-americano é acusado pelo estupro de uma menina de 14 anos, em fevereiro, e o caso serve de estopim ira protestos pela presença no Japão de bases militares dos EUA. O repúdio é particularmente forte em Okinawa, ilha onde ocorreu o crime e na qual fica a maior parte dos 50 mil militares norte-americanos esta­cionados no país. Em novembro de 2009, o Japão inicia negociações com os EUA para fechar a base norte-americana na ilha.

DESGASTE

Em março de 2008, o governo lança mão de uma manobra política para impor a volta de uma taxa que aumenta o preço dos combustíveis. Com isso, a rejei­ção popular a Fukuda cresce. O ápice do enfrentamento ocorre em junho, quando a câmara alta aprova, pela primeira vez no pós-guerra, uma moção de censura ao primeiro-ministro e pede sua renúncia. Com esperança de recuperar o apoio po­lítico e popular, visando às eleições gerais de 2009, Fukuda promove uma reforma ministerial em setembro e nomeia seu rival Taro Aso secretário-geral do partido. A crise financeira global, porém, atinge a economia japonesa, aumentando ainda mais as dificuldades para Fukuda. que renuncia em setembro.

Fonte: arquivoetc.blogspot.com/2009_02_01_archive.html

Com a crise (2007-2009), as vendas externas do Japão caíram 14% no quarto trimestre de 2008. Como resultado, o PIB japonês contraiu-se 4,6% no período, o pior resultado em 35 anos. Nos Estados Unidos, epicentro do desastre financeiro, o PIB encolheu apenas 0,2%, e nos países da chamada zona do euro a queda ficou em 1,2%.

NOVO GOVERNO

Taro Aso, ortodoxo em economia e conservador politicamente, assume como primeiro-ministro em setembro de 2008. Ele destina 255 bilhões de dólares para ajuda a instituições financeiras e empresas e para operações de crédito. Em novembro, o país entra oficialmente em recessão.

POLÍTICA EXTERNA

Em dezembro, o Japão reúne-se com a China e a Coreia do Sul, for­malizando uma Frente Asiática, que adota medidas de colaboração para enfrentar a crise econômica e buscar a estabilidade do sistema financeiro global. A iniciativa con­solida uma aproximação entre o governo japonês e o de seus dois vizinhos, marcada, no período anterior, sobretudo, por visitas ao Japão do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao (abril de 2007) e do presidente da China, Hu Jintao (março de 2008).

DERROTA DO PLD

A troca do primeiro-mi­nistro não surte efeito, e a crise política, somada à econômica, estende-se por 2009.

Fonte: arquivoetc.blogspot.com/2009_02_01_archive.html

Desde novembro de 2009, um recall por conta de um problema no acelerador fez a Toyota recolher para reparos 9 milhões de carros (prejuízo de US$ 2 bilhões). Isso desencadou uma crise abalando a reputação da empresa em dimensões incalculáveis. Fonte: Revista Isto é de 24/02/2010, p. 82.

O Japão registra a pior queda do PIB em 35 anos, aborta uma tímida tentativa de recuperação e vê seu ministro das Finanças perder o cargo depois de um vexame público.

Em fevereiro de 2009, o ministro das Finanças, Shoichi Nakagawa. renuncia após aparecer supostamente embriagado em uma reunião do G-7. Em outubro de 2009, o mesmo Nakagawa é encontrado morto  em sua residência (veja  vídeo que segue com reportagem do Globo News).

Em julho, o PLD sai derrotado das eleições para a Assembleia de Tóquio, consideradas um importante termômetro de popularidade. Em seguida, a câmara alta aprova moção de censura contra Aso. que decide antecipar as eleições gerais para agosto, dois meses antes do previsto.

No pleito, o PDJ conquista uma vitória histórica, que põe fim a um período de 54 anos quase ininterruptos do PLD no poder. O PDJ obtém 308 das 480 cadeiras em dis­puta, contra 119 do PLD. Yuláo Hatovama assume como premiê em setembro, pro­metendo investir em programas sociais e reduzir a dependência econômica das exportações. O novo primeiro-ministro também sinaliza que estreitará as relações com os vizinhos asiáticos, especialmente China e Coreia do Sul.

Texto adaptado do Almanaque Abril, 2010, ano 36, p. 515-517. Os mapas, figuras e videos estão com suas respectivas referências na parte inferior das mesmas.

8 thoughts on “Japão – Geopolítica da atualidade

  1. parabens pelo blog professor,
    o blog definitivamente cumpriu seu objetivo em facilitar e complementar
    o estudo da geografia, junto ao livro didático
    deixo aqui uma sugestão: a cor escolhida para o fundo e para a fonte cansa rápido as vistas, de tal forma que um fundo claro e fonte escura seria o ideal.
    mais uma vez parabens pelo blog,
    abraço.

    • Muito obrigado pelas considerações Guilherme! Bom que cumpra o objetivo de complementar o livro didático, pois o objetivo é ajudar a informar cada vez mais meus alunos.
      Observei atentamente a sua sugestão e modifiquei a cor da fonte (de amarelo para um ‘quase’ branco) para tentar melhorar a leitura.
      A idéia do fundo ser escuro foi fugir um pouco da trivialidade da grande maioria dos blogs (além de ter gente – como eu – que cansa menos lendo em fundo escuro e cor clara… veja como são as coisas!). Continuo em observação desse tópico sobre as cores.
      Abraço.

  2. Boa tarde professor,

    Actualmente estou a desenvolver um projecto sobre a as exiguidades do Japão sob uma prespectiva geopolítica. Ao procurar informação na internet, deparei-me com o seu artigo. Apesar de, em geral, não conter informação directa sobre o meu tema, simplesmente adorei o artigo. Muito bem conseguido, parabéns. Já agora, se não for incómodo, seria possível indicar-me algum livro que seja adequado ao meu tema? Obrigada.

    • Olá Isabela,
      Obrigado pelo elogio e por ter chegado aqui, pois pela grafia percebo que você escreve de algum lugar de Portugal (meus ancestrais são de Guimarães e vieram aqui para o Brasil em 1750 desenvolver atividades comerciais!).
      Quanto à indicação de livros que você me pede, sobre as exiguidades do Japão diretamente não tenho, mas o problema de escassez japonesa começa a ser enxergado por eles próprios quando os EUA obriga, em meados do séc XIX, os xoguns a abrir seus portos e logo depois na Restauração Meiji vem a expansão territorial nipônica pelo Pacífico.
      Como a geopolítica japonesa se liga à norte-americana pela influência ocidental de desenvolvimento industrial e ocupação territorial (principalmente no pós II Guerra), e a geopolítica do destino manifesto norte-americano (desenvolvida principalmente pelo Spykman) liga-se ao nascimento da geopolítica na Alemanha (Ratzel e a aliança pan-germanista a partir da análise expansionista do Otto Von Bismark), pensamento que vai permear as duas guerras (principalmente a II pelo poder expansionista e centralizador tecido pela estratégia do Haushofer e seguida por Hitler).
      Bom, para não me estender tanto em temas tão multifacetados, indico-lhe, por hora, três livros que podem ajudar nessas ligações geopolíticas de encaixe na insuficiência japonesa.

      COSTA, Wanderley Messias da. Geografia política e geopolítica: discursos sobre o território e o poder. 2.ed. São Paulo: EDUSP, 2008.
      MAGNOLI, Demétrio. Relações internacionais: teoria e história. São Paulo: Saraiva, 2004.
      VESENTINI, José William. Novas geopolíticas. 4.ed. São Paulo: Contexto, 2007.

      Espero ter ajudado,
      Cordialmente,
      Mb.

      • Boa tarde professor,

        O professor está correcto, realmente sou portuguesa e coincidentemente, natural de Guimarães, apesar de não viver na cidade. Agradeço a breve explicação, é de extrema utilidade, pois a professora que está a orientar o meu projecto, numa das nossas conversas, sugeriu uma ligação à Alemanha, mas não quis entrar em pormenores, penso que com a sua ajuda, acabei de descobrir. Pesquisei um pouco sobre os livros, parecem interessantes, vou tentar adquiri-los. Obrigado.

        Atenciosamente,
        Isabela

  3. Caro professsor,

    Confesso que fiquei impressionado com a clareza e a concisão sobre o modo que você trata de um assunto tão abrangente como a geopolítica nipônica. Eu curso a oitava série, e ficaria muito agradecido se soubesse as mudanças mais recentes ocorridas no cenário político e econômico do Japão, além de contar com a sua ajuda para um quesito mais delicado. As questões sobre o Japão, em vestibulares, testes, exames e concursos, são escassas; resta, porém, saber se você possui algum conhecimento sobre questões objetivas de simulados ou quaiquer outros testes que ajudem numa melhor compreensão da economia e política japonesa. A maneira como o assunto sobre o Japão está exposta no livro de William Vesentini (no caso, o meu), é muito superficial, e o seu blog cumpriu com o meu objetivo, que era encontrar informações úteis e agradáveis de se ler, sem cair nas velhas fórmulas cristalizadas, como o “decoreba”. Se você puder me ajudar, fica aqui o meu muito obrigado. Se não, novamente um muito obrigado pela utilidade do seu texto, que foi uma preciosa ajuda para mim.

    Desde já o meu abraço,

    Luís Henrique

    • Luís,
      Agradeço muito suas palavras e por hora vou ficar te devendo as questões.
      Digo-lhe que as tenho, mas como todas as páginas e figuras eu que as configuro e leio os textos para escolha, não tenho tempo (ainda) para postar as questões.
      A prioridade é completar os assuntos da geografia que caem nos vestibulares, programas de avaliação seriada e ENEM, para depois as questões comentadas.
      Obrigado mais uma vez e um abraço,
      Mb.

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