Breve histórico do mundo árabe e os recentes levantes no Oriente Médio


Os recentes levantes acontecidos no mundo árabe levam-nos a uma volta nas épocas mais remotas da história do Oriente Médio que possui cidades surgidas há quatro, cinco mil anos. Também se encontra nessa região a origem das três grandes religiões do mundo: o judaísmo, o cristianismo e o Islã.

Em outras épocas o Oriente Médio abrigou vastos impérios e diversos fatores que moldam hoje a região. O mais importante elemento é a religião islâmica que causou a unidade política do Oriente Médio.

Esse escrito segue o conceito de Oriente Médio moderno do ‘Atlas do Oriente Médio’ de Dan Smith, Publifolha, 2008. p. 10, conforme mapa mostrado acima.

O início da expansão islâmica está no começo do século XIV com o Império Otomano (surgido onde hoje se encontra a Turquia) tomando áreas que chegaram ao século XVII entre o norte da Argélia na África, passando pelo atual território europeu na altura da Hungria e parte da Áustria em direção sul até chegar na Arábia Saudita entre as margens do Mar Vermelho e do Golfo Pérsico. O Império Otomano ruiu totalmente em 1922, depois da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) quando se formou a Turquia moderna.

O declínio do Império Otomano abriu portas para que o colonialismo europeu adentrasse no Oriente Médio. No norte da África, a Argélia foi o primeiro território a ficar com ocupação direta europeia (França), mais a leste, a Líbia foi tomada por italianos e o Egito, Sudão e nas margens da península arábica (domínio otomano) pelos britânicos.

Mapa de domínios coloniais europeus no Oriente Médio antes da Primeira Guerra (1914). Os atuais territórios do Marrocos, Argélia e Tunísia de ocupação francesa; Líbia de ocupação italiana; Egito, Sudão, Iêmen, Omã e Kuait de ocupação inglesa; Síria, Turquia, Jordânia e costa da Arábia Saudita de ocupação do Império Otomano. Fonte: SMITH, Dan. Atlas do Oriente Médio: o mapeamento completo de todos os conflitos. São Paulo: Publifolha, 2008, p. 21.

No curso da política durante a Primeira Guerra, a Grã-Bretanha prometeu o estabelecimento de um reino árabe do Oceano Índico à fronteira norte do Iraque e ao movimento sionista, o apoio à criação de um lar nacional dos judeus na Palestina.

Entre os anos (1915/16), a França e a Grã-Bretanha negociaram entendimento sobre terras partilhadas do antigo Império Otomano, na região do Oriente Médio. Esse acerto ficou conhecido como Acordo Sykes-Picot – 1916.

Depois da Primeira Guerra, os franceses, com consentimento dos ingleses, também tiveram controle de ex-territórios otomanos no Oriente Médio (a Síria e o Líbano), mas o domínio nas margens da península arábica continuava sendo dos ingleses.

A construção do canal de Suez (1859/69 – ligação entre os mares Vermelho e Mediterrâneo e de domínio francês e egípcio) já tinha aumentado o interesse estratégico da Grã-Bretanha que comprou a parte do Egito e instalou tropas em 1882. Durante todo o século XIX, e mesmo depois que se tornaram aliados a partir do começo do século XX, a Grã-Bretanha e a França foram rivais imperiais na África e no Oriente Médio. À medida que o Império Otomano enfraquecia, França e Grã-Bretanha tentavam, uma contra a outra, conquistar mais regiões e expulsar outras nações (em especial a Rússia) dos seus projetos coloniais.

O colonialismo alcançou seu auge impondo sua lógica como uma nova ordem regional, mas a França e a Grã-Bretanha, apesar de terem vencido a Primeira Guerra, sofreram substanciais perdas que não lhes davam condições de comando no vasto território externando que o controle colonial começava a dar sinais de enfraquecimento. Os anos entre-guerras deram considerável ímpeto ao sentimento nacionalista e aos movimentos de independência árabes.

A Segunda Guerra Mundial (1939/45) foi outro grande golpe no sistema colonial. As duas décadas posteriores a 1945 seriam a era de descolonização no Oriente Médio e no resto do mundo.

No curso da descolonização, em 1922 os britânicos reconheceram a independência formal do Egito (ingleses mantinham influência por partido político) e em 1952 tornou-se totalmente independente politicamente. Apesar da independência egípcia, os ingleses mantiveram o controle sobre o Canal de Suez. Em 1956, o presidente do Egito Gammal Abdel Nasser denuncia a ocupação colonial inglesa, nacionaliza o canal e tem seus bens congelados em represália, além de apoiar os argelinos da FLN contra os franceses na descolonização. Reino Unido, França e Israel reagem militarmente contra o Egito (Crise de Suez), mas a ONU condena a ação militar e confirma a legitimidade egípcia sobre o canal de Suez após uma semana.

A citada FLN é a Frente de Libertação Nacional da Argélia, que foi criada em 1954 para lutar contra o domínio colonial francês. A Argélia conseguiu a independência em 1962.

No mundo árabe, o anticolonialismo serviu para delinear um programa para o que viesse depois com a queda do poder colonial. Surgia um movimento pan-árabe como uma filosofia política cuja premissa é cultural. O nacionalismo foi fortalecido mesmo com a incapacidade dos países árabes de impedir a criação do estado judeu de Israel marcando a derrota de cinco estados árabes (Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Síria)

O auge do nacionalismo pan-árabe se deu na década de 1950. Foi nessa plataforma que ascendeu o líder carismático Gammal Abdel Nasser, que comandou o golpe dos Oficiais Livres no Egito, em 1956, e foi responsável pela nacionalização do canal de Suez, citado anteriormente.

Em 1958, o pan-arabismo criou através da Síria e Egito a RAU (República Árabe Unida). Em 1967, Israel derrotou uma coalizão dos Estados árabes na Guerra dos Seis Dias e expandiu seu território à custa de Egito, Jordânia e Síria, enfraquecendo cada vez mais a frágil união árabe. Nasser morreu três anos depois, em 1970.

Fizeram-se esforços para uma união árabe única, mas a Síria reclamava da liderança do Egito e aumentava a tensão com o Iraque. Isso fez com que o Iraque se retirasse da união, em 1971, e fosse substituído pela Líbia. O líder líbio Muamar Kadafi tentou assumir o posto de liderança do egípcio Nasser, mas o pan-arabismo morreu junto com Nasser, devido às tensões entre diferentes governos, cada qual com seus próprios interesses.

Os recentes levantes no Norte da África e Oriente Médio

Tunísia

Território situado no Norte da África que faz parte da região do Magreb, com 40% composto pelo deserto do Saara e 60% de terras férteis. Colonizado pelos fenícios (1.000 a.C.) que fundam Cartago, importante entreposto comercial do Mediterrâneo. Em 146 a.C. os romanos destroem a cidade de Cartago e dominam a região. Os árabes chegam no século VII e fazem de Túnis (atual capital) o centro do islamismo no norte da África.

Pertenceu aos domínios do Império Otomano desde 1754 e passou a ser protetorado francês a partir de 1881. Obteve independência em 1956 através do movimento nacionalista tunisiano.

O principal líder nacionalista Habib Bourguiba é eleito em 1959 e imprime um regime totalitário de partido único vitalício. Em 1980 começam a surgir greves em protesto ao governo autocrático de Bourguiba que é retirado do poder através de um golpe militar em 1987, chefiado pelo seu primeiro-ministro Zine el-Abidine Ben Ali, em decorrência da crise econômica que assolava o país.

O governo de Bourguiba ocidentalizou o país com a proximidade dos Estados Unidos e Israel, mas havia a preocupação de não perder as origens pautadas na identidade muçulmana e islâmica.

Ben Ali, para não ser confundido com o regime autocrático anterior, revoga a presidência vitalícia e estabelece a liberdade partidária, mas é acusado de perseguir a oposição, principalmente o partido islâmico que é banido e passa a ser considerado grupo terrorista (Ben Ali vence as eleições de fachada em 1989, 1994 e 1999). As atitudes autoritárias do presidente Ben Ali certificam outro regime totalitário na Tunísia e levantam suspeitas sobre a corrupção no alto escalão do governo.

Desde o governo de Bourguiba, a Tunísia é um importante aliado do ocidente na repressão ao fundamentalismo islâmico.

Segundo a BBC Brasil, o clima atual de tensão para tomada de poder na Tunísia começou no dia 17 de dezembro de 2010, quando o desempregado Sidi Bouzeid, de 26 anos e com formação superior, foi abordado por policiais enquanto vendia verduras na rua. Após ter sua mercadoria apreendida, ele foi impedido de prestar queixa. Desesperado, o jovem ateou fogo no próprio corpo e morreu dias depois no hospital. A morte de Bouzeid iniciou uma série de protestos que se espalharam rapidamente pelo país e a capital Túnis.

Centenas de milhares de pessoas, entre estudantes, sindicatos e partidos de oposição, protestaram contra o desemprego, corrupção e falta de democracia. O presidente Zine Al-Abidine Ben Ali, que estava no poder há 23 anos, tentou reprimir as manifestações com policiais nas ruas. Grupos de direitos humanos afirmam que mais de 60 pessoas morreram nos confrontos e centenas de manifestantes ficaram feridos. Antes de renunciar, Ben Ali dissolveu o Parlamento e governo, e deixou o país junto com sua família.

Egito

Lugar de civilizações muito antigas (4.000 a.C.) que até o comando de Alexandre, o Grande (322 a.C.), é governado por dinastias. Nos séculos seguintes, os povos do Nilo são dominados por romanos (século I a.C.), bizantinos (século IV), árabes (século VII) – que impõem o islamismo – e turco-otomanos (século XVI).

Enfrenta invasão napoleônica no fim do século XVIII, mas o marco da penetração europeia é a construção do canal de Suez (1869) e a ocupação britânica em 1882 até 1936, quando passam a manter tropas apenas no canal. Em 1922 o Egito proclama a independência e instala uma monarquia. Durante a II Guerra foi palco de conflito entre britânicos contra alemães e italianos. A crise do pós-guerra e a derrota para os israelenses contra a criação desse estado (1948) provocam protestos antimonarquistas e anticolonialistas. Nesse contexto que o coronel Gamal Abdel Nasser ascende ao poder ao depor o regime monarca e proclamar a república em 1953 e promover reforma agrária e industrialização em 1954 e nacionalizar o canal em 1956, além de impedir que navios israelenses o cruzasse (parte desse histórico foi explicado anteriormente).

Em 1958, Egito e Síria formam um só Estado (A República Árabe Unida – RAU) e em 1961 a Síria rompe com o Egito. Em 1967 o Egito perde a península do Sinai e a Faixa de Gaza para Israel na Guerra dos Seis Dias. Em 1973 um novo ataque do Egito e da Síria no feriado do ‘dia do perdão’ judeu (Yom Kippur) faz com que sejam derrotados e o Egito inicia a abertura para o Ocidente (assina acordos de paz em 1978 e 1979 com Israel em Camp David, sob a mediação dos EUA).

Em 1981, o presidente Sadat é assassinado por fundamentalistas muçulmanos e sucedido por Hosni Mubarak que reprime grupos extremistas islâmicos e tece uma política de aproximação com Israel (e EUA que derramam bilhões de dólares por ano no Egito), apesar da oposição de outras nações árabes.

Na década de 1980, como agravamento da crise econômica, os fundamentalistas se fortalecem, mas são reprimidos pelo regime autocrático de Mubarak. A Irmandade Muçulmana torna-se o maior bloco de oposição e é oficialmente banida das eleições fazendo os candidatos concorrerem como independentes. Não conseguem votação significativa, pois a Constituição do país dificulta a candidatura de candidatos sem representação legislativa.

O diplomata da ONU Mohamed ElBaradei volta ao Egito em 2010 e anuncia que se houver eleições livres ele se candidatará junto a uma Coalizão Nacional para Mudança que faz pressão por reformas e ganha popularidade. No final de janeiro de 2010, o povo vai às ruas para protestar contra o governo de Mubarak e ao fim de 18 dias de mobilização, de combates de rua e de centenas de mortes, a revolução egípcia teve a sua primeira grande vitória com a queda de Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011. Este levante sem precedentes na história do Egito seguiu-se à vitória na Tunísia.

Conforme Alejandro Nadal do La Jornada traduzido pela Carta Maior, o levante popular no Egito tem sido apresentado na imprensa internacional como algo surpreendente. O certo é que a revolta é a culminação de um processo há muito tempo em gestação […] No Egito também houve uma fachada de democracia, com seus partidos e eleições manipuladas para resultar sempre nos resultados desejados pelo poder. A pobreza é generalizada e as expectativas para os jovens foram se deteriorando a cada ano. As oportunidades de emprego são desprezíveis, as expectativas de educação quase nulas. Os serviços públicos cada vez mais deficientes enquanto a repressão do regime crescia contra a luta obreira […] dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra o regime. As manifestações foram crescendo e nos últimos dias já eram centenas de milhares participando da luta.

Os levantes no mundo árabe foram comparados aos levantes europeus acontecidos em 1848 e conhecidos como Primavera dos Povos. Para um maior aprofundamento sobre o assunto acesse http://marcosbau.com/geopolitica/1581-2/

Líbia

Pela posição estratégica no Mediterrâneo, a costa da Líbia foi ocupada por diversos povos na antiguidade: berberes, egípcios, fenícios, cartagineses, gregos e romanos. No século IV foi incorporada ao Império Bizantino. No século VII os árabes dominam a região e imprimem a religião muçulmana. Entre 1517 e 1911, o domínio é do Império Turco-Otomano quando é invadido pela Itália quando coloniza a Líbia a partir de 1934. Durante a Segunda Guerra, o território líbio é dividido entre Reino Unido e França e em 1951 alcança sua independência instaurando uma monarquia.

Em 1969, o coronel Muamar Kadafi toma o poder através de um golpe militar que nacionaliza a produção de petróleo e instala uma ditadura militar. O governo passa a ser acusado de apoiar grupos terroristas que apóiam a causa palestina e grupos separatistas da Europa.

Na década de 1980 os EUA impõem sanções econômicas e em 1986 bombardeiam Trípoli e Benghazi, visando destruir campos de treinamento terrorista. Em 1992 o governo recusa a extradição de dois agentes líbios responsabilizados pela explosão de um jato da Pan Am e a ONU impõe pesadas sanções em 1992.

Kadafi dá início a um programa de privatizações para abrir a economia ao capital estrangeiro. Em 1993 rompe com o fundamentalismo islâmico do Irã que apoia grupos extremistas líbios. Em 1999 a ONU cancela o embargo e a Líbia abre negociações com empresas europeias para extração de petróleo e gás natural. A partir de 2003 a Líbia atende às exigências do Conselho de Segurança da ONU e reaproxima o país cada vez mais do ocidente e em 2005 concede licenças para empresas norteamericanas explorem petróleo e gás no país. Em 2010 a empresa British Petroleum (BP) anuncia o início da extração de petróleo no país.

Em 13 de fevereiro de 2011 começa uma série de protestos populares contra o governo de Kadafi reivindicando melhoras sociais e políticas. Os manifestantes influenciados pelas revoltas na Tunísia e no Egito também clamam por liberdade e democracia, mais respeito pelos direitos humanos, uma melhor distribuição da riqueza e a redução da corrupção no seio do Estado e das suas instituições.

A violenta repressão aos opositores do governo fez com que vários embaixadores e lideranças líbias renunciassem a seus cargos. A ONU estuda a possibilidade de acusar a Líbia de crimes contra a humanidade por ter recorrido a caças de guerra para repreender as manifestações. Devido às manifestações, além do Brasil, países como França, Rússia, Holanda e Índia também já conseguiram evacuar parte de seus cidadãos da Líbia. Muammar Gaddafi, ditador líbio há 42 anos no poder, ameaçou “enfiar o dedo nos olhos” daqueles que intervierem na situação política do país e falou que se os Estados Unidos ou os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) entrarem na Líbia, “haverá milhares de mortos” (do UOL online).

Os conflitos continuaram no norte do país e as tropas da OTAN assumiram o comando da operação dos países da coalizão no final de março de 2011.

Kadafi foi capturado e morto pelos rebeldes em Sirte no dia 20 de outubro de 2011. Vídeo abaixo mostra filmagem de rebelde apenas alguns segundos depois que o líder foi arrastado de um duto de esgoto sob uma uma estrada em Sirte no mesmo dia da sua morte.

Outras manifestações na região

RABAT, Marrocos, 26 fev. 2011 (EFE).- Milhares de pessoas do “Movimento 20 de Fevereiro” saíram às ruas neste sábado de forma pacífica em várias cidades do Marrocos para reivindicar uma “Constituição democrática”, apesar da advertência oficial sobre a proibição de mobilizações. O regime marroquino é uma monarquia parlamentarista e o presidente Mohammed 6º está no poder há 12 anos.

ARGEL, Argélia, 25 Fev 2011 (AFP) – Centenas de manifestantes que pedem reformas políticas na Argélia (presidente há 12 anos no poder) estavam bloqueados neste sábado pela polícia no ponto de partida de uma manifestação no centro de Argel, comprovou um jornalista da AFP. O presidente do partido Assembleia pela Cultura e Democracia (RCD), o deputado Said Sadi, foi cercado pelas forças de ordem na Praça dos Mártires antes de começar a manifestação. As forças de segurança conseguiram isolar os partidários do RCD que participaram de um protesto da chamada Coordenação Nacional pela Mudança e Democracia (CNCD), um movimento nascido há um mês, mas que já sofre divisões internas.

AMÃ, Jordânia, 25 Fev 2011 (AFP) – Milhares de pessoas protestaram nesta sexta-feira em Amã para pedir reformas constitucionais na maior manifestação na capital desde o início do movimento de protestos na Jordânia em janeiro (governo: monarquia parlamentarista em que o rei Abdullah 2º está há 12 anos no poder). “Toda Jordânia quer reformas constitucionais urgentes, um governo parlamentar e um verdadeiro Parlamento representativo do povo”, declarou o xeque Hamzeh Mansur, líder da Frente de Ação Islâmica (FAI), principal partido de oposição procedente da Irmandade Muçulmana. Os manifestantes gritaram frases para denunciar a “corrupção em todos os níveis” e para exigir o retorno à Constituição de 1952. A Constituição adotada em 1952 pelo rei Talal, avô do rei Abdullah II, passou por 29 reformas desde então, sempre dando mais poder à monarquia.

NAJAF, Iraque (Reuters), 26 fev. 2011 – O mais reverenciado clérigo xiita do Iraque incitou os políticos do país neste sábado a atender aos pedidos de reforma após milhares de iraquianos tomarem as ruas para protestar contra corrupção e serviços básicos insatisfatórios. Milhares de iraquianos inspirados pelas revoltas na região árabe participaram de um “Dia de Fúria” na sexta-feira para protestar contra a escassez de comida, água, energia e trabalho. Na república presidencialista do Iraque, o presidente Jalal Talabani está há 5 anos no poder.

SANAA/ÁDEN, Iêmen (Reuters), 1 de mar. 2011 – Dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas do Iêmen nesta terça-feira, em um novo “Dia de Fúria” dedicado a 24 pessoas mortas em manifestações anteriores contra o presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos. Os protestos no país – um dos mais pobres do mundo árabe – começaram há dois meses e cresceram sob a inspiração de outras revoltas da região, como na Tunísia e Egito. Uma das principais motivações dos manifestantes é reagir à corrupção e ao desemprego.

SOHAR, Omã, 1 Mar 2011 (AFP) -Veículos blindados dispersaram nesta terça-feira na cidade de Sohar os manifestantes que bloqueavam o porto e uma estrada que leva a Mascate, a capital de Omã. A operação aconteceu sem incidentes, depois que os distúrbios deixaram pelo menos um morto desde sábado nesta localidade industrial, 200 km ao norte de Mascate. O sultanato islâmico mantém há 40 anos o Sultão Quaboos Bin Said no poder.

MANAMA, Bahrein, 1 Mar 2011 (AFP) -Milhares de pessoas voltaram a tomar as ruas de Manama nesta terça-feira para protestar contra o regime barenita e afirmar a unidade nacional do pequeno reino, de população xiita e sunita. Desde 14 de fevereiro, os manifestantes exigem mudanças políticas no país, de maioria xiita, governado por uma dinastia sunita que há mais de 200 anos se perpetua no poder. Os manifestantes que acampam há dias na Praça da Pérola, no centro de Manama, têm exigências ainda mais radicais, a começar pela queda da dinastia dos Al Khalifa. O sistema de governo do Bahrein é um emirado islâmico que mantém o rei Khalifa Bin Salman Al-Khalifa há 40 anos no poder.

TEERÃ, Irã (BBC Brasil), 14 fev. 2011 – Governo proibiu manifestação alegando que ela tem motivação política. Dezenas de manifestantes foram presos nesta segunda-feira na capital do Irã, Teerã, durante violentos confrontos com policiais em um protesto que havia sido proibido pelas autoridades do país. Milhares participaram da manifestação, convocada originalmente por líderes oposicionistas para mostrar apoio às ocorridas na Tunísia e no Egito e que se transformou numa demonstração de descontentamento contra o regime do presidente Mahmoud Ahmadinejad (há 6 anos no poder da república islâmica do Irã).

COSTA DO MARFIM (BBC Brasil), 31 de março de 2011 – Laurent Gbagbo se recusou a deixar o cargo de presidente mesmo com a ONU, que ajudou a organizar as eleições de novembro, tendo afirmado que ele perdeu e Alassane Ouattara foi o vencedor. Gbagbo acusou a França, país que colonizou a Costa do Marfim, de tentar usar sua influencia na ONU para tirá-lo do poder e ter vantagens econômicas, mas os argumentos não foram aceitos. Analistas dizem que raramente viram unanimidade como a observada na comunidade internacional após as eleições. União Africana (UA), ONU e o organismo dos países da África ocidental, Ecowas, pediram pela saída de Gbagbo e impuseram sanções para forçar a transferência de poder. A UA deu um prazo até 24 de março para a saída de Gbagbo, o que não foi respeitado e poucos dias depois, forças de Outtara, vindas do norte do país, entraram na cidade de Abidjan. As tropas da ONU e francesas estão no país e reconhecem o presidente-eleito em novembro para substituir Gbagbo que não aceita sair do poder.

SÍRIA (BBC), 1 de abril – Ocorreram também protestos em diversas outras cidades sírias como parte da onda que está sendo considerada a maior ameaça ao regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, que substituiu seu pai, Hafez, após sua morte, em 2000. Segundo a correspondente da BBC em Damasco Lina Sinjab, testemunhas contaram que os protestos nas cidades de Qamishli e Hassakeh, no nordeste do país, começaram logo depois das orações em meio à forte presença das forças de segurança. O nordeste do país é a região onde vive a população curda, que vinha se mantendo à distância das manifestações. Ativistas e grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que entre 60 e 130 pessoas morreram nos choques com as Forças de Segurança nas últimas semanas, mas o governo estima o número de mortos em cerca de 30.

Referências

SMITH, Dan. Atlas do Oriente Médio: o mapeamento completo de todos os conflitos. São Paulo: Publifolha, 2008.

Almanaque Abril 2011, ano 37, págs. 448, 522, 610.

16 thoughts on “Breve histórico do mundo árabe e os recentes levantes no Oriente Médio

  1. Marcos,

    Parabéns pelo texto! Leitura clara e explanadora das causas da situação vivenciada hoje no mundo árabe.

    Conte-nos, na sua opinião, o que esperar dessa região para o futuro. Ocorrerá uma nova escalada de regimes autoritários? Os grupos rebeldes financiados por outras economias formarão grupos terroristas que se voltarão contra seus financistas (como no caso de Bin Laden no Afeganistão)?

    Obrigado,
    Gustavo

  2. Professor,

    Tiro meu chapéu para esse site…

    Sempre que tenho tempo faço uma leitura. É impressionante como a linguagem e o entendimento são fáceis.
    As vezes, tenho impressão que estamos conversando sobre o
    tema. Recomendo sempre…

    Parabéns!!!

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