Matriz geográfica para o Programa de Avaliação Seriada 2ª etapa – 2008/2010.

O foco do Programa de Avaliação Seriada da 2ª série do Ensino Médio é pautado em como se constrói a noção de espaço na sociedade brasileira. Essas indagações orientam uma visão de espaço como produto histórico, social e cultural. Seja qual for o ponto escolhido para abordagem, não há como interpretá-lo sem dados locais, regionais e variáveis nacionais. Além disso, há as relações de ordem internacional, pois, com a globalização, o mundo está cada vez mais interdependente.

Na ciência geográfica, que vai além da visão cartesiana (não acreditar em nada que não se possa provar como certo ou irrefutável – nunca aceitar a negação como verdadeira para chegar a uma outra proposição), a concepção de mundo pode ser resumida na idéia de que o espaço global, estruturado, realiza-se em cada uma de suas partes. Por isso, a consciência do todo é a consciência de suas partes, ou seja, o todo, objetivamente, realiza-se como todo na relação de suas partes. Portanto, geograficamente, entende-se dialeticamente que a totalidade é composta pela soma das partes e assim cada parte passa a ser o todo quando este é fracionado. Portanto, o todo sem a parte deixa de ser totalidade e a parte sem o todo deixa de existir como parte por não mais se relacionar nem haver um parâmetro do que seja totalidade.

É relevante ressaltar que constitui erro teórico e filosófico contrapor “Homem” e “Natureza”. Os seres humanos são parte do mundo natural e compartilham a biosfera. Por conseguinte, a sua história é a história da transformação permanente e acumulativa da natureza, em sociedade, por meio do trabalho. Quem atua sobre o substrato natural e o transforma em meio técnico e em meio tecnocientífico e informacional é um ser social. Na geografia, esse parágrafo significa que a natureza está no homem e vice versa por causa do movimento do trabalho.

trabalho

Se por um lado o trabalho emancipa, também pode alienar. Se tem capacidade para libertar, pode igualmente escravizar. “Esses aspectos convertem o estudo do trabalho humano numa questão crucial do nosso mundo, de nossas vidas, neste conturbado século 21, cujo maior desafio é dar sentido ao trabalho humano e tornar nossa vida fora do trabalho também dotada de sentido”, afirma o sociólogo Ricardo Antunes.

No cenário internacional, devem ser consideradas as contradições entre áreas centrais e periféricas, a situação da Europa e da América da segunda metade do século XIX, a Revolução Industrial, as transformações no processo produtivo europeu – financeiro e comercial – desdobradas para a África e Ásia na conjuntura do capitalismo mundial, na fase Imperialista. Esse contexto capitalista internacional abordado anteriormente rebate na gênese do mundo contemporâneo, com ênfase na formação das nações americanas — em particular, da brasileira — no contexto de crise do antigo sistema colonial. Refere-se, também, ao processo de consolidação do sistema capitalista e às suas implicações (sociais, culturais, políticas e econômicas) nas sociedades mundiais, nos seus desdobramentos para a cidadania nas várias regiões do mundo ocidental.

O desenvolvimento capitalista nos “países centrais” levou a uma redefinição da função dos espaços geográficos no território nacional; interessava à burguesia internacional que os países periféricos permanecessem fornecedores de matériasprimas para a indústria européia e produtores de alimento a baixo preço. Além disso, tornou-se conveniente à Europa a introdução das relações assalariadas de produção nos países periféricos, para que esses mercados se transformassem em compradores de produtos industrializados europeus. Ressalta-se, ainda, que, aqui, a economia cafeeira foi a principal fonte de divisas e responsável pela organização socioeconômica e espacial. A partir da crise de 1929, o papel exercido pela cafeicultura nessa organização foi dividido com outras atividades econômicas, dentre elas, a indústria. No Brasil, o processo de industrialização levou à integração econômica do território, sob a hegemonia do Centro-Sul. A montagem do modelo urbano-industrial assentou-se sob o tripé constituído pelos capitais nacionais, estatais e transnacionais.

Fatos da Revolução de 1930 no Brasil.

Na análise da construção do espaço brasileiro, é importante reconhecer o papel do sistema de transportes na integração nacional – com o objetivo de conectar as regiões Norte, Nordeste e Centro-Sul – e na configuração do mercado interno. Quanto à relação entre a questão agrária e a construção do espaço brasileiro, é importante observar as contradições entre a dimensão do território, as condições de produção e os sistemas de acesso à terra, historicamente antidemocráticos. Em todos os momentos, houve a reafirmação do latifúndio, com a produção destinada ao mercado externo ou industrial, em detrimento de uma estrutura fundiária justa, com produção destinada ao mercado interno que buscasse políticas voltadas para a erradicação da fome no País. A respeito desse assunto, deve-se estabelecer relação entre a influência climática e a agricultura na produção nacional e, também, de forma global, entre os fenômenos metereológicos (de origem natural, ou provocados pelo uso irracional dos recursos naturais), a produção agrícola e os domínios morfoclimáticos brasileiros.

A desigualdade social se faz reconhecer, também, nas estratégias do desenvolvimento urbano-industrial, nas utopias urbanas, na modernização e no crescimento paralelo da cidade informal. A ocupação do solo urbano em Brasília-DF destaca-se por especificidades que envolvem conflitos fundiários e ambientais, agravados pela atração populacional. Pelo processo de globalização, o Brasil se insere na conjuntura internacional, nas condições socioeconômicas e políticas que a situação impõe. Como conseqüências, acentuam-se desigualdades regionais, desemprego, exclusão e marginalização social, além da aculturação. O modelo de internacionalização conduz a uma reestruturação dos sistemas, possibilitando novas formas de integração no Continente e na economia mundial.

Fonte: adaptado da matriz de avaliação divulgada no site do CESPE/UNB. Os videos e figuras foram incluídos pelo autor do post.

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