China РUma potência mundial


HIST√ďRIA

Comunidades agrícolas neolíticas, precursoras diretas da civilização chinesa, floresceram cerca de 7500 a.C. no sul da China e nas zonas do loesse do norte e do nordeste, com as culturas do milho e arroz (veja mapa).

O início da agricultura por volta de 6000 a. C. Fonte: Atlas  de História Mundial, 1999, p. 63.

A civilização chinesa surge por volta de 2000 a.C., nas margens do rio Azul (Yang­tsé ou Yangzi). Torna-se um vasto império no século II a.C., época em que se inicia a construção da Grande Muralha pelo Estado Qin que domina toda a China. Mantém contato com o ocidente apenas depois do século XIII, por intermédio de mercadores, como o ve­neziano Marco Polo. No século XVI chegam os portugueses, que fundam Macau.

DOM√ćNIO OCIDENTAL

A partir do s√©culo XIX, a influ√™ncia ocidental causa grande impacto sobre o Imp√©rio Chin√™s. Em 1820, os bri¬≠t√Ęnicos obt√™m exclusividade de com√©rcio no porto de Cant√£o. Interesses comerciais op√Ķem China e Reino Unido e levam-nos √†s duas Guerras do √≥pio (1839/1842 e 1856/1860). Vitoriosos, os brit√Ęnicos ga¬≠rantem o monop√≥lio do com√©rcio da droga, a abertura de cinco portos chineses ao Ocidente e a posse de Hong Kong. Em 1844, os Estados Unidos (EUA) e a Fran√ßa conquistam privil√©gios comerciais. A R√ļssia ocupa, em 1858, territ√≥rios no norte. Em 1885, a China cede An√£ (Vietn√£) √† Fran√ßa e, dez anos depois, perde a pen√≠nsula da Coreia e Taiwan (Formosa) para o Jap√£o. A submiss√£o da dinastia manchu √† interven√ß√£o externa provoca, entre 1898 e 1900, a Guerra dos Boxers, revolta dos nacionalistas contra estrangeiros e mission√°rios crist√£os. A rebeli√£o foi o √ļltimo suspiro da Dinastia Tsing, sufocada com a ajuda de tropas ocidentais e japonesas.

FIM DO IMP√ČRIO

Em 1908, o m√©dico Sun Yat-sen funda o Partido Nacionalista (Kuomintang), em oposi√ß√£o √† monar¬≠quia e √† hegemonia estrangeira. Apoiado por militares √© proclamado presidente provis√≥rio em 1911, mas a rep√ļblica n√£o alcan√ßa todo o pa√≠s, que entra em longo per√≠odo de guerra civil.

A morte de Sun Yat-sen, em 1925, pro­voca luta pelo poder no Kuomintang. A facção vitoriosa, liderada por Chiang Kai-chek, une-se ao Partido Comunista Chinês (PCCh) Рfundado em 1921 Рcontra os senhores feudais do norte do país (veja mapa que segue). A aliança dura até 1927, quando uma insurreição operária em Xangai é repri­mida com violência pelo Kuomintang. Os comunistas, liderados por Mao Tsé-tung, são colocados na clandestinidade.

Fonte: Atlas  de História Mundial, 1999, p. 260.

Debilitada, a China n√£o resiste ao Jap√£o, que, em 1931, invade a Manch√ļria e implanta o Estado Manchukuo em 1934. Para escapar ao cerco do Kuomintang, 90 mil co¬≠munistas liderados por Mao, deslocam-se quase 10 mil quil√īmetros rumo ao norte. √Č a Grande Marcha (1934/1935), que d√° prest√≠gio e dimens√£o quase m√≠tica aos comunistas.

Setas indicando a Grande Marcha feita pelos comunistas entre 1934/35.

COMUNISMO

Diante do avan√ßo japon√™s, o Kuomintang e o PCCh fazem nova alian√ßa em 1936. Com a rendi√ß√£o do Jap√£o, no fim da II Guerra Mundial, recome√ßam os com¬≠bates entre comunistas e nacionalistas. Em outubro de 1949, os comunistas proclamam a Rep√ļblica Popular da China, com Mao Ts√©-tung como dirigente supremo. Chiang Kai-chek foge para Taiwan (Formosa), onde instala a Rep√ļblica da China.

Fonte: Atlas  de História Mundial, 1999, p. 261.

Pouco antes, Em 11 de mar√ßo de 1947, o presidente norte-americano Harry Truman (1884/1972) fez um discurso propondo a concess√£o de cr√©ditos para a Gr√©cia e a Turquia, com o objetivo de sustentar governos pr√≥-ocidentais naqueles pa√≠ses. O principal objetivo geopol√≠tico da Doutrina Truman era conter o socialismo, impedindo o expansionismo da Uni√£o Sovi√©tica, criando alian√ßas militares como a Organiza√ß√£o do Tratado do Atl√Ęntico Norte _ OTAN.¬† A aplica√ß√£o da Doutrina Truman √† √Āsia determinava a configura√ß√£o do “cord√£o sanit√°rio” em torno da China e estimulava a aproxima√ß√£o Pequim-Moscou.

Entenda o Cord√£o Sanit√°rio – A tomada do poder em Pequim (set. 1949) pelos comunistas liderados por Mao repercutiu sobre a Coreia que tinha sido anexada ao Jap√£o em 1910. Depois da derrota japonesa na II Guerra, a pen√≠nsula coreana foi dividida em uma zona de ocupa√ß√£o sovi√©tica, ao norte, e uma zona de ocupa√ß√£o americana separada pelo paralelo 38¬ļ. Em julho de 1950, tropas norte-coreanas penetram pelo paralelo 38¬ļ e decidem unificar o pa√≠s.¬† Os norte-americanos imprimiram uma contra ofensiva chegando at√© as proximidades da fronteira chinesa. Em 1953 foi assinado na vila de Panmunjon (situada entre as duas Coreias), o armist√≠cio de mesmo nome produziu o cessar fogo. O sistema de alian√ßas asi√°ticas dos EUA, formando a Organiza√ß√£o doTratado do Sudeste Asi√°tico (SEATO) comporto por EUA, Gr√£-Bretanha, Fran√ßa, Austr√°lia, Nova Zel√Ęndia, Filipinas, Tail√Ęndia e Paquist√£o, al√©m de prote√ß√£o a tr√™s estados indochineses n√£o comunistas: Vietn√£ do Sul, Laos e Camboja.¬† A SEATO¬† contribuiu para a configura√ß√£o¬† de um “cord√£o sanit√°rio” em torno das pot√™ncias comunistas, e em contraponto √† “cortina de ferro”¬† europeia surge a express√£o “cortina de bambu”.

A partir da Revolução Comunista, a China continental é reorganizada nos moldes comunistas, com coletivizarão das terras, nacionalizarão das empresas estrangeiras e controle estatal da economia. Em 1950, a China assina tratado de amizade com a União Soviética (URSS) que se resume em alinhamento a Moscou que vai durar até o ano de 1965. No mesmo ano de 1950, a China ocupa e anexa o Tibete.

Após a morte do ditador soviético Josef Stálin, em 1953, Mao enfatiza sua autono­mia em relação à URSS. Em 1956 lança a Campanha das Cem Flores, para estimular críticas da população à burocracia partidá­ria. Quando essas críticas ultrapassam limi­tes considerados toleráveis, o regime reage com a Campanha Antidireitista.

Milhares de intelectuais s√£o perseguidos, presos e mortos. Em seguida Mao lan√ßa outra campanha: o Grande Salto para a Frente (1958/1960), que pretendia transformar rapidamente a China em na√ß√£o desenvol¬≠vida e igualit√°ria. Os camponeses s√£o obri¬≠gados a se juntar em gigantescas comunas agr√≠colas. Sider√ļrgicas improvisadas s√£o instaladas por toda a parte. O “salto” leva √† total desorganiza√ß√£o econ√īmica e tamb√©m a Mao Ts√©-Tung perder a lideran√ßa interna na China. Milhares de camponeses morrem de fome.

REVOLUÇÃO CULTURAL

A c√ļpula do PCCh afasta Mao da condu√ß√£o dos assuntos internos. Outros veteranos da revolu√ß√£o, como Liu Shaoqi e Deng Xiaoping, assu¬≠mem a dire√ß√£o do partido. Mao continua a chefiar a pol√≠tica externa. Crescem as cr√≠ticas √† URSS, que reage e suspende a ajuda econ√īmica e militar, em 1960.

Em 1964, a China detonou sua primeira bomba at√īmica e, tr√™s anos depois, a de hidrog√™nio; e a Uni√£o Sovi√©tica n√£o aceitou perder a hegemonia nuclear no bloco socialista. Esse fato decisivo, somado √†s diverg√™ncias quanto ao modelo de socialismo, acabou provocando o rompimento¬†entre a Uni√£o Sovi√©tica e a China, em 1965.

Em 1966, Mao lan√ßa uma ofensiva pa¬≠ra voltar ao poder: a Grande Revolu√ß√£o Cultural Prolet√°ria. A popula√ß√£o – em especial a juventude – √© instigada a se rebelar contra as autoridades, acusadas de burocratiza√ß√£o. Cerca de 20 milh√Ķes de estudantes formam as Guardas Vermelhas, que fazem persegui√ß√Ķes em grande escala Mas o pacto com as guardas acaba em 1969, quando Mao usa o Ex√©rcito para liquidar seus aliados, agora acusados de extremismo. Aos poucos, a ala reformista do PCCh reconquista posi√ß√Ķes e, ap√≥s a morte de Mao, em 1976, assume o poder.

REFORMAS ECON√ĒMICAS

Com Deng Xiaoping √† frente do governo, o pa√≠s, em 1978, adota a pol√≠tica das Quatro Grandes Moderniza√ß√Ķes (da ind√ļstria, da agricultura, da ci√™ncia e tec¬≠nologia e das For√ßas Armadas). S√£o criadas em 1984 Zonas Econ√īmicas Especiais (ZEEs – vide mapa), abertas a investimentos estrangeiros, e incentiva-se a propriedade privada no campo. O modelo propicia grande crescimento econ√īmico √† China a partir de 1978.

MASSACRE DA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL

A abertura na economia estimula a luta por democracia. Em 1986, Hu Yaobang, secret√°rio-geral do partido desde 1982, √© acusado de “desvios liberais” e substitu√≠¬≠do por Zhao Ziyang. A morte de Hu, em abril de 1989, desencadeia uma onda de protestos. Os estudantes exigem a rein¬≠tegra√ß√£o p√≥stuma de Hu ao partido. Em maio, centenas de milhares de estudantes fazem manifesta√ß√Ķes contra a corrup√ß√£o e exigem abertura pol√≠tica. Os jovens re√ļnem-se na pra√ßa da Paz Celestial, em Pequim, onde est√£o instalados os principais √≥rg√£os do poder. Em junho, o Ex√©rcito atira contra os estudantes. A imprensa estrangeira estima entre 2 mil e 5 mil o n√ļmero de mortos.

Ao meio-dia, uma coluna de pelo menos 14 tanques avan√ßava pela avenida Chang’an (Rua da Paz Longa, em chin√™s). No sentido oposto, um homem, vestindo cal√ßas pretas e camisa branca, carregando duas sacolas, uma em cada m√£o, p√°ra em frente ao comboio e faz um movimento com o bra√ßo direito sinalizando para que interrompam o avan√ßo. O primeiro tanque freia a cerca de 3 metros do homem. O segundo e o terceiro que aparecem na imagem param logo atr√°s…

ASCENSÃO DE JIANG ZEMIN

Deng X√≠aoping morre em 1997, aos 92 anos. Seu suces¬≠sor, Jiang Zemin, mant√©m a pol√≠tica de reformas econ√īmicas. Nesse mesmo ano, o PCCh rompe um princ√≠pio b√°sico do co¬≠munismo, a propriedade estatal dos meios de produ√ß√£o, e anuncia gigantesco progra¬≠ma de privatiza√ß√Ķes. Ao mesmo tempo, o partido refor√ßa o controle pol√≠tico sobre o pa√≠s. O governo reprime duramente a seita religiosa Falun Gong. Receoso de que sua popularidade enfraque√ßa o PCCh, bane a seita em 1999 e prende milhares de fi√©is.

FATOS RECENTES

Ap√≥s 15 anos de negocia√ß√Ķes, a China torna-se membro da Organiza√ß√£o Mundial do Com√©rcio (OMC), em dezembro de 2001. Com isso, o pa√≠s abre seu mercado √†s importa√ß√Ķes e permite a entrada do capital estrangeiro em setores antes pro¬≠tegidos, como bancos e telecomunica√ß√Ķes. Em troca, amplia o acesso dos produtos chineses ao mercado mundial.

NOVAGERAÇÃO

No 16¬į Congresso do PCCh, em 2002, o vice-presidente, Hu Jintao, √© conduzido √† chefia do partido. Em mar√ßo de 2003 √© eleito presidente do pa√≠s pelo Congresso Nacional do Povo. Wen Jiabao substitui Zhu Rongji como primeiro-mi¬≠nistro. O novo governo tem como foco a manuten√ß√£o da estabilidade econ√īmica conquistada nos √ļltimos anos.

MISSÃO ESPACIAL

Em outubro de 2003, a China torna-se o terceiro país a enviar uma missão tripulada ao espaço. Novos lançamentos são feitos em 2005 e 2008. Em outubro de 2007. o país envia seu primeiro satélite para a órbita lunar.

TRÊS GARGANTAS

Em maio de 2006, a China inaugura a usina de Tr√™s Gargantas. no rio Yang-ts√©, que passa a ser a maior hidrel√©trica do mundo, superando a de Itaipu. O complexo custou mais de 25 bilh√Ķes de d√≥lares e faz parte do esfor√ßo chin√™s para suprir a demanda por energia renov√°vel e reduzir a depend√™ncia por carv√£o e petr√≥leo. O projeto √© criticado. por√©m, por seu custo humano e ambiental – milh√Ķes de pessoas s√£o retiradas da √°rea e h√° risco de cat√°strofe ambiental.

Foto de sat√©ite da usina de Tr√™s Gagantas Fonte: www.apolo11.com/…/ikonos_3_gargantas_500.jpg

CORRUPÇÃO E CENSURA

Em 2006, ao menos 17 mil pessoas s√£o afastadas de cargos p√ļblicos por corrup√ß√£o. Em setembro de 2007, os primeiros r√©us s√£o condenados a penas que variam de tr√™s anos de deten¬≠√ß√£o a pris√£o perp√©tua. Em setembro de 2006, o governo chin√™s obriga ag√™ncias de not√≠cias internacionais a submeter ao crivo da ag√™ncia estatal chinesa as infor¬≠ma√ß√Ķes que ser√£o divulgadas. A censura √† internet √© intensificada em 2007 (Em mar√ßo de 2010, Qin Gang, porta-voz do Minist√©rio de Rela√ß√Ķes Exteriores da China, afirmou que um conflito de censurar o Google e o governo do pa√≠s n√£o vai afetar as rela√ß√Ķes com os EUA).

PENA DE MORTE

Em janeiro de 2007 entra em vigor uma reforma no sistema penal, pela qual s√≥ a Suprema Corte pode autori¬≠zar a pena de morte. O objetivo da medida √© reduzir o n√ļmero de execu√ß√Ķes (Segundo a Anistia Internacional (AI), que contabiliza as execu√ß√Ķes anunciadas na imprensa, a China foi respons√°vel por 1.700 das 2.400 execu√ß√Ķes registradas no mundo em 2008).

REFORMAS

Em mar√ßo de 2007, ap√≥s 13 anos de debate, o Congresso Nacional do Povo aprova lei que garante √† propriedade privada os mesmos direitos da propriedade estatal. Em junho, o Parlamento aceita mudan√ßas na legisla√ß√£o trabalhista que aumentam a prote√ß√£o aos trabalhadores. Em agos¬≠to, √© aprovada legisla√ß√£o antimonop√≥lio, que submete as empresas estrangeiras a um controle do governo chin√™s antes de efetuar fus√Ķes e aquisi√ß√Ķes no pa√≠s. Em outubro de 2008, s√£o anunciadas outras grandes mudan√ßas: uma amplia de 30 para 70 anos a vig√™ncia da concess√£o de terras; outra autoriza a comercializa√ß√£o do direito de uso da terra. Na pr√°tica, elas favorecem a forma√ß√£o de propriedades maiores e mais produtivas, assim como aceleram a urbaniza√ß√£o do pa√≠s.

PRODUTOS CHINESES

Condenado √† pena de morte por receber propina para aprovar licen√ßas para novos rem√©dios, Zheng Xiaou, ex-diretor da ag√™ncia de sa√ļde, √© executado em julho de 2007. O caso est√° ligado √† crise de credibilidade por que passa a ind√ļstria chinesa. No decorrer do ano, v√°rios pa√≠ses retiram do mercado produtos chineses inadequados ao consumo ou nocivos √† sa√ļde.

JINTAO FORTALECIDO

O 17¬į Congresso do PCCh, realizado em outubro de 2007. con¬≠solida o poder de Hu Jintao, ao nomear lideran√ßas mais pr√≥ximas ao presidente. O congresso define como diretriz uma preocupa√ß√£o maior com as disparidades sociais e regionais, com o meio ambiente e com o controle da economia.

TERREMOTO

Situação Geográfica do terremoto de Sichuan. Fonte: comendodepalitinho.blogspot.com/

Munic√≠pios da prov√≠ncia de Sichuan, no sudoeste, s√£o atingidos por um forte terremoto, em maio de 2008, que mata cerca de 70 mil chineses – incluindo 10 mil crian√ßas, cujas escolas desmoronaram. O governo anuncia, em novembro, que investir√° 400 bilh√Ķes de d√≥lares at√© 2010 para a reconstru√ß√£o de edif√≠cios na √°rea afetada.

JOGOS OL√ćMPICOS

De 8 a 24 de agosto, ocorrem os Jogos Ol√≠mpicos de Pequim. Fortemente elogiadas no aspecto t√©cni¬≠co e de infraestrutura, as Olimp√≠adas s√£o, por√©m, criticadas pelo gigantesco aparato de seguran√ßa. 100 mil policiais, 300 mil c√Ęmeras de vigil√Ęncia e restri¬≠√ß√Ķes ao trabalho da imprensa, mesmo a internacional. A presen√ßa de 80 l√≠deres de pa√≠ses na abertura refor√ßa o prest√≠gio do governo chin√™s.

LEITE CONTAMINADO

Estoura em setembro um esc√Ęndalo relacionado √† venda de leite em p√≥ contaminado – causando a morte de seis crian√ßas e provocando problemas urin√°rios em 294 mil. Autoridades chine¬≠sas s√£o acusadas de postergar a divulga√ß√£o do problema e o recolhimento dos pro¬≠dutos por causa dos Jogos ol√≠mpicos de Pequim. Em janeiro de 2009.21 pessoas s√£o condenadas por envolvimento no caso, duas delas √† pena de morte.

DI√ĀLOGO COM TAIWAN

Em novembro, os governos da China e de Taiwan avan√ßam nas negocia√ß√Ķes de reaproxima√ß√£o ao acertar o restabelecimento das liga√ß√Ķes postais, a√©reas e mar√≠timas. L√≠deres dos dois lados tamb√©m come√ßam a negociar um acordo de livre com√©rcio, em maio de¬†2009.

CRESCIMENTO E CRISE ECONÒMICA

Desde a implanta√ß√£o do “socialismo de mercado” em 1978, a m√©dia de crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) da China √© de 9%. Em 2007, o crescimento registrado foi de 11,4%, o maior em 13 anos (veja figura que segue). O total de bens e servi√ßos produzidos pelo pa√≠s foi calculado em cerca de 3,4 trilh√Ķes de d√≥lares. Com isso, a China¬† ultrapassou a Alemanha passando a terceira economia do mundo, ficando atr√°s apenas dos Estados Unidos (EUA) e do Jap√£o.

Fonte: Guia do Estudante, 2010. Importante ressaltar que esse gráfico passou a ser considerado ultrapassado pela notícia de agosto/2010, quando a China passou a ser a segunda potência mundial trocando de lugar com o Japão.

O modelo de desenvolvimento adotado se baseia na abund√Ęncia da m√£o-de-obra mal remunerada (veja compara√ß√£o na figura que segue), na distribui√ß√£o de subs√≠dios estatais (a ajuda do governo aos produtores), na atra√ß√£o de investimentos estrangeiros, na instala√ß√£o de f√°bricas montadoras (que importam pe√ßas e montam produtos) e na exporta√ß√£o de mercadorias baratas.

Fonte: Guia do Estudante, 2008.

A economia chinesa desacelera em raz√£o da crise financeira global no segundo semestre de 2008. A taxa de crescimento do pa√≠s no ano cai a 9%. o menor √≠ndice desde 2001. Na tentativa de reaquecer a economia, o governo libera, em novem¬≠bro, um pacote de 585 bilh√Ķes de d√≥lares, destinado a obras de infraestrutura, que criam empregos na constru√ß√£o civil, al√©m de ajudar a ind√ļstria. Outras medidas adotadas incluem o corte de impostos e a redu√ß√£o das taxas de juro, para facilitar o cr√©dito e estimular o consumo interno.

DESEMPREGO

Em fevereiro de 2009, a desacelera√ß√£o do com√©rcio internacional derruba as vendas do pa√≠s ao exterior em 25%, na compara√ß√£o com 2008. A economia ainda avan√ßa, mas o cresci¬≠mento de 6,1% no primeiro trimestre √© o pior resultado em 17 anos. Como con¬≠sequ√™ncia, empresas fecham as portas e aumenta drasticamente o n√ļmero de desempregados.

Nos √ļltimos anos, milh√Ķes de campo¬≠neses deixaram sua vila para trabalhar em f√°bricas nas cidades. O governo es¬≠tima que mais de 20 milh√Ķes de chineses nessa situa√ß√£o tenham perdido seu em¬≠prego e retornado ao campo em 2009. Especialistas acreditam que a China pre¬≠cisa crescer pelo menos 8% ao ano para criar empregos em n√ļmero suficiente para atender os migrantes rurais.

RELA√á√ēES COMERCIAIS

Em fevereiro de 2009, a China assina com a R√ļssia um acordo de 25 bilh√Ķes de d√≥lares que ga¬≠rante o fornecimento de petr√≥leo ao pa√≠s pelos pr√≥ximos 20 anos. No mesmo m√™s, o vice-presidente Xi Jinping faz uma viagem pela Am√©rica Latina, incluindo o Brasil, num esfor√ßo para aumentar a presen√ßa chinesa na regi√£o. Os dois pa√≠ses assinam um acordo pelo qual o Brasil ir√° fornecer petr√≥leo √† China em troca de empr√©stimos para a explora√ß√£o das reservas localizadas na camada pr√©-sal na costa brasileira. Outra estrat√©gia do governo chin√™s √© aproximar-se dos pa√≠ses africanos. Estat√≠sticas oficiais indicam que o investimento direto da China na √Āfrica aumentou de 491 milh√Ķes de d√≥¬≠lares em 2003 para 7,8 bilh√Ķes de d√≥lares em 2008.


SECA E TUFÃO

Em fevereiro, o governo declara alerta m√°ximo na regi√£o norte por causa da seca, que prejudica o fornecimento de √°gua pot√°vel para 4,4 milh√Ķes de pessoas e afeta mais de 10 milh√Ķes de hectares de planta√ß√£o. O tuf√£o Marakot atinge o sul do pa√≠s em agosto. obrigando 1 milh√£o de pessoas a abandonar sua casa.

RELA√á√ēES COM OS EUA

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, visita Pequim, em fevereiro, numa viagem focada em economia e mudanças climá­ticas. Em novembro, o presidente norte­americano Barack Obama também vai à China e defende a liberdade de expressão e o fim da censura à internet. O discurso de Obama, no entanto, é censurado pelo governo chinês e não é divulgado nos meios de comunicação do país.

REFORMA DA SA√öDE

Em abril, o governo anuncia um plano para universalizar o sistema p√ļblico de sa√ļde at√© 2020 na China o acesso aos hospitais √© pago. A reforma prev√™ ainda investimentos de 290 bilh√Ķes de d√≥lares na constru√ß√£o de cente¬≠nas de hospitais e cl√≠nicas e distribui√ß√£o de medicamentos a pre√ßos acess√≠veis.

DIREITOS HUMANOS

No mesmo m√™s √© lan√ßado o primeiro plano sobre direitos humanos no pa√≠s. Entre outras medidas, o documento prev√™ garantia de julgamentos justos, tratamento adequado aos detentos, prote√ß√£o √†s minorias e amplia√ß√£o do aces¬≠so da popula√ß√£o √† informa√ß√£o. Em julho. o governo anuncia mudan√ßas na legisla√ß√£o para restringir a pena de morte somente aos crimes graves. Al√©m disso, todos os condenados √† morte ter√£o sua pena revis¬≠ta, com o objetivo de diminuir o n√ļmero de execu√ß√Ķes no pa√≠s. A China n√£o divulga n√ļmeros oficiais, mas, de acordo com a organiza√ß√£o Anistia Internacional, o pa√≠s foi respons√°vel, em 2008, por 1.718 mortes, o que corresponde a 72% de todas as execu√ß√Ķes do mundo.

GASTOS MILITARES

Em junho, relat√≥rio do Instituto Estocolmo de Pesquisa sobre Paz Internacional, da Su√©cia, indica que a China tem o segundo maior or√ßamento militar do mundo. As despesas com defe¬≠sa, que chegam a 85 bilh√Ķes de d√≥lares, quadruplicaram nos √ļltimos dez anos. O governo chin√™s alega que os movimentos separatistas no Tibete e o risco de indepen¬≠d√™ncia de Taiwan s√£o amea√ßas √† seguran√ßa do pa√≠s. Outro foco de preocupa√ß√£o para as autoridades s√£o os conflitos √©tnicos em Xinjiang.

RECUPERA√á√ÉO ECON√ĒMICA

As medidas ado­tadas pelo governo chinês para comba­ter a crise começam a surtir efeito no segundo semestre de 2009. No terceiro trimestre, o PIB cresce 8,9%, e, em outu­bro, os investimentos diretos estrangeiros no país voltam a subir, registrando alta de 5,7%. No mesmo mês, aumentam a produção industrial e as vendas no varejo. A expectativa é que o PIB aumente 8,4% em 2009 Рresultado abaixo da média dos anos anteriores, mas superior às estimativas mais pessimistas do início do ano. A preocupação é se a economia vai conseguir manter o ritmo de crescimento quando o pacote de estímulo do governo chegar ao fim, a partir de 2011.

REGI√ēES ADMINISTRATIVAS ESPECIAIS

HONG KONG

HongKong volta √† soberania da China em 1¬į de julho de 1997, com status de Regi√£o Administrativa Especial, ap√≥s 156 anos de dom√≠nio brit√Ęnico. Com a transfe¬≠r√™ncia, a China amplia seu poderio econ√ī¬≠mico, j√° que Hong Kong √© um dos maiores mercados financeiros do mundo e possui o porto mais movimentado da √Āsia.

A devolu√ß√£o segue o lema “um pa√≠s, dois sistemas” (comunista e capitalista). Hong Kong dever√° manter, pelo menos at√© 2047, seu sistema econ√īmico e autonomia administrativa. A China responder√° pela pol√≠tica externa e pela defesa.

CONTROLE BRIT√āNICO

A ilha de Hong Kong foi cedida ao Reino Unido em 1842, com a derrota chinesa na I Guerra do √≥pio. A pen√≠nsula de Kowloon passa para o controle brit√Ęnico em 1860, e os Novos Territ√≥rios s√£o arrendados em 1898. Nos anos 1960, HongKong elimina impostos e encargos so¬≠ciais para atrair investimentos externos.

REINTEGRAÇÃO À CHINA

Em 1997, o empre¬≠s√°rio Tung Chee-Hwa √© escolhido chefe do Executivo pelo governo chin√™s. como prev√™ a lei. Em 2002 obt√©m novo mandato. No mesmo ano, 500 mil pessoas protestam contra o an√ļncio de um projeto de lei que amplia o poder do Executivo. Meses depois, Tung susta a tramita√ß√£o do projeto.

ELEI√á√ēES

Em 2003, na eleição para os conselhos distritais, o oposicionista Partido Democrático (DP) conquista 93 dos 120 bairros em que disputa. Estavam em jogo 326 cadeiras por eleição direta, enquanto 102 são ocupadas por indicação de Tung Chee-Hwa. No mesmo ano é derrotada a moção apresentada por James To (DP), no Conselho Legislativo de Hong Kong, que prevê a instauração da democracia na ilha.

Em 2004, o Parlamento chin√™s veta a elei√ß√£o direta para o chefe do Executivo local em 2007 e para os 60 membros do Conselho Legislativo (apenas metade √© eleita diretamente) em 2008. Em setembro, os partidos pr√≥-democracia elegem 18 de¬≠putados, contra 12 dos partidos pr√≥-Pequim, nas 30 cadeiras eleitas diretamente para o Legislativo. No resultado final, que inclui as 30 vagas preenchidas por escolha indireta, o governo chin√™s obt√©m 34 deputados, contra 25 da oposi√ß√£o e um independente. Em mar√ßo de 2005, problemas de sa√ļde levam Tung Chee-Hwa a pedir demiss√£o. Em junho, Donald Tsang √© indicado para ser o novo chefe do Executivo.

TSANG REELEITO

Em 2007, Tsang √© reeleito pelo comit√™ eleitoral. Em setembro de 2008, nas elei√ß√Ķes legislativas, a oposi√ß√£o obt√©m 24 vagas das 30 em disputa para o Conselho Legislativo. Mesmo majorit√°ria no voto popular, a oposi√ß√£o continua em minoria no Conselho Legislativo, j√° que as demais vagas s√£o ocupadas por parlamen¬≠tares indicados pelo governo chin√™s.

CRISE

Atingida pela crise econ√īmica mun¬≠dial, Hong Kong entra em recess√£o, em novembro. No primeiro trimestre de 2009, a economia recua 7,8%, o pior resultado desde a crise asi√°tica de 1998. No trimestre seguinte, Hong Kong sai da recess√£o.

MACAU

O territ√≥rio est√° encravado no sudeste chin√™s e inclui a pen√≠nsula de mesmo nome e as ilhas de Taipa e Col√īane. Com popula√ß√£o de maioria chinesa, vive do jogo e do turismo.

CONTROLE PORTUGUÊS

Em 1557, Portugal estabelece um entreposto comercial na região, que, em 1951, se torna província ultramarina. Em 1986, portugueses e chine­ses chegam a um acordo para a devolução. Macau torna-se Região Administrativa Especial com autonomia, exceto nos as­suntos de defesa e política externa. O status será mantido por 50 anos.

DEVOLUÇÃO

O chefe do Executivo da região, Edmund Ho, é nomeado em 1999, ano em que Macau é transferido pacificamente para a China. Em 2007, centenas de pessoas saem às ruas para pedir democracia no território. Em março de 2009, entra em vigor uma nova lei de segurança que prevê prisão a quem se rebelar contra o governo chinês. Em julho, Fernando Chuí é escolhido como novo chefe do Executivo.

Taiwan, Tibete e as regi√Ķes especiais

As for√ßas derrotadas por Mao Ts√©-tung em 1949 fugiram para a ilha de Taiwan, ao sul da China, formando um territ√≥rio capitalista que se proclama como o verda¬≠deiro governo chin√™s e √© considerado pela China comunista uma prov√≠ncia rebelde. Taiwan recebeu investimentos dos EUA que financiaram o desenvolvimento da ind√ļstria. Com a entrada da China na ONU, em 1971, Taiwan teve de sair do organismo, rompendo rela√ß√Ķes diplom√°ticas com qua¬≠se o mundo todo. Diante das aspira√ß√Ķes separatistas da ilha, o governo chin√™s chegou a amea√ßar entrar em guerra com Taiwan. Mas o com√©rcio externo se inten¬≠sificou, e, nos √ļltimos meses, h√° sinais de reaproxima√ß√£o. 0 transporte mar√≠timo vem sendo liberado aos poucos, e j√° exis¬≠tem voos diretos entre China e Taiwan.

Hong Kong, ex-protetorado brit√Ęnico devolvido √† China em 1997, e Macau, ex¬≠territ√≥rio portugu√™s restitu√≠do em 1999, s√£o regi√Ķes administrativas especiais que mant√™m a economia de mercado. Nelas, o governo central de Pequim controla os assuntos de defesa e pol√≠tica externa e deixa que sigam com as mesmas regras de economia de mercado que vigoravam antes da reintegra√ß√£o √† China continental.

J√° o Tibete (veja mapa), territ√≥rio de tradi√ß√£o budis¬≠ta com status de regi√£o aut√īnoma, foi anexado √† China em 1950. Nos primeiros anos de ocupa√ß√£o, o governo comunista destruiu monast√©rios e tentou suprimir a identidade do povo tibetano. Por causa disso, Tenzin Gyatso, o 14¬į datai-lama, l√≠der dos tibetanos, vive no ex√≠lio desde 1959. Ele tem corrido o mundo em defe¬≠sa da autonomia do Tibete e ganhou o Pr√™mio Nobel da Paz em 1989.

Fonte: 1.bp.blogspot.com/…/s400/CHINA+TIBET.jpg

XINGIANG

Xinjiang √© um vasto territ√≥rio des√©rtico de 1,7 milh√£o de quil√īmetros quadrados na antiga Rota da Seda, sem o qual a China, terceiro maior pa√≠s do mundo, seria menor que o Brasil, o quinto. Localizada no extremo oeste, na fronteira com Paquist√£o e Afeganist√£o, Xinjiang ocupa uma √°rea equivalente a 17% do territ√≥rio chin√™s, mas abriga apenas 1,5% da popula√ß√£o da China, de 1,3 bilh√£o. Al√©m de ser a maior do pa√≠s, a prov√≠ncia √© estrat√©gica por concentrar 15% das reservas nacionais de petr√≥leo e 20% das de g√°s.

Nessa prov√≠ncia gigante que faz fronteira com oito pa√≠ses, da R√ļssia √† Caxemira disputada com a √ćndia, √© que se concentram as verdadeiras dores de cabe√ßa do regime chin√™s. O Tibete √© mais famoso, gra√ßas √† m√≠stica de seus mosteiros budistas, √† fama do dalai-lama e ao esplendor do Himalaia. Mas os tibetanos, em sua placidez lama√≠sta, n√£o t√™m ambi√ß√Ķes separatistas. Os mu√ßulmanos uigures s√£o uma hist√≥ria diferente. Xinjiang √© povoada por 20 milh√Ķes de habitantes de 47 etnias, dos quais 8,3 milh√Ķes s√£o uigures – mu√ßulmanos de l√≠ngua turca.

Com l√≠ngua, religi√£o e identidade √©tnica mais pr√≥xima aos povos da √Āsia Central do que aos chineses do leste da China, os uigures representavam um desafio ao desejo do Partido Comunista de restabelecer o territ√≥rio que a China tinha durante o imp√©rio e havia sido desagregado durante a guerra civil que chegou ao fim em 1949. A solu√ß√£o foi estimular a migra√ß√£o dos han para prov√≠ncia, dominada por desertos e montanhas.

Hoje, a etnia han, majorit√°ria no pa√≠s, representa 41% da popula√ß√£o de Xinjiang. Os uigures, que antes representavam 74%, passaram para 45%. Os restantes 14% pertencem a outras minorias √©tnicas. Os imigrantes concentraram-se na capital, Urumqi, e tornaram-se a elite econ√īmica, o que nutre o ressentimento dos uigures contra os han e o governo. Al√©m dos uigures, vivem na regi√£o integrantes das etnias han, casaque, hui, mongol, quirguiz, tajique, xibe, ozbek, mandchu, daur e t√°rtara, al√©m de russos.

Por s√©culos, as principais atividades econ√īmicas da regi√£o vinham sendo a agricultura e o com√©rcio, com cidades como Kahshgar prosperando como entrepostos da famosa Rota da Seda. No come√ßo do s√©culo 20, os uigures chegaram a declarar independ√™ncia. Mas, em 1949, a regi√£o passou a ser controlada pela China comunista. Oficialmente, Xinjiang √© uma regi√£o aut√īnoma da China, como o Tibete, que fica mais ao sul.

As revoltas se intensificaram em 1990, logo ap√≥s a retirada das tropas sovi√©ticas do Afeganist√£o e da independ√™ncia das tr√™s ex-rep√ļblicas Sovi√©ticas na fronteira com Xinjiang – Casaquist√£o, Tajiquist√£o e Quirguist√£o. Desde os atentados de 11 de setembro de 2001, nos EUA, Pequim refor√ßou a repress√£o em nome da luta antiterrorista.

Xinjiang abriga grupos militantes capazes n√£o de desestabilizar, mas de incomodar Pequim. Os uigures s√£o maioria na regi√£o, e o Movimento Isl√Ęmico do Turquest√£o do Leste (MITL) quer torn√°-lo em pa√≠s independente.¬†Pequim diz que militantes uigures vem realizando uma campanha violenta pela independ√™ncia da regi√£o, com ataques a bomba, sabotagem e incitando a popula√ß√£o √† revolta. Desde os ataques de 9 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, a China vem acusando separatistas uigures de manter liga√ß√Ķes com a Al-Qaeda. O governo chin√™s diz que os uigures foram treinados e doutrinados por militantes isl√Ęmicos no Afeganist√£o, mas h√° poucas evid√™ncias que confirmem essas afirma√ß√Ķes.

Mais de 20 uigures foram capturados por militares americanos na sua invas√£o ao Afeganist√£o em 2001. Apesar de terem sido mantidos na pris√£o de Guant√°namo por seis anos, estes uigures nunca chegaram a ser formalmente indiciados.¬†(Texto sobre Xingiang com Cl√°udia Trevisan e Lourival Sant’ Anna, de O Estado de S. Paulo, e BBC Brasil)

Fonte: Adaptado do Almanaque Abril 2010, p. 427-431 e Guia do Estudante, 2010, p. 90-95. Algumas figuras foram salvas sem a anotação da referência. Se o leitor as tiver favor acusar para podermos dar os créditos devidos.

10 thoughts on “China – Uma pot√™ncia mundial

  1. Ol√° prof. Marcos, acessei seu blog e achei √≥timo, ajudou no meu estudo j√° que estou no √ļlimo ano de geografia.
    Parabéns pela iniciativa.
    abraço

  2. Pelo que sei, e com todo o respeito √† competente Ge√≥grafa, a China √© pot√™ncia mundial no PIB e nas For√ßas Armadas. A verdade √© que 600 milh√Ķes de chineses est√£o na era da globaliza√ß√£o, gozando, portanto, de seus benef√≠cios e bem-estar. Os outros 700 milh√Ķes s√£o pobres, muito pobres, e passam, mesmo, necessidade. Nem mesmo o t√≠tulo de “emergente” deveria ter, pois foi uma pot√™ncia mundial nos s√©culos XIV/XV. Deveria ser intitulada de “pot√™ncia re-emergente”, se √© que existe esse termo. A verdade √© que, como um dos l√≠deres dos pa√≠ses emergentes, inclu√≠da nos chamados “BRICS”, tem uma situa√ß√£o pior do que a do Brasil, esse, sim, um emergente de fato, com id√©ias e perspectivas novas e in√ļmeras potencialidades e riquezas. A rigor, dos chamdados, BRICS, o √ļnico que pode ser considerado “emergente” – que aparece com cara nova, com discurso e alternativas novos, assim como com robustas perspectivas futuras – √© o Brasil. A R√ļssia j√° √© conhecida por seu poder militar, muitas riquezas naturais, mas id√©ias velhas num territ√≥rio marcado pelo esfacelamento da ex-URSS, por conflitos de minorias √©tnicas e um cr√īnico problema de corrup√ß√£o. A √ćndia, milenar, tb com enorme parcela da popula√ß√£o vivendo na extrema pobreza, e com conflitos √©tnicos e sociais – um anacr√īnico e invi√°vel sistema de castas – al√©m da contenda com o Paquist√£o, relativamente √† Caxemira. A √Āfrica do Sul, rec√©m integrada ao BRICS, luta tb com in√ļmeros problemas, que vai desde a ainda insipiente conviv√™ncia racial entre negros e brancos, passando pela grave epidemia de AIDS, que atinge milh√Ķes de sul-africanos e pela viol√™ncia cr√īnica das grandes cidades, e desembocando numa certa crise de identidade, como Na√ß√£o, que s√≥ recentemente come√ßou a acordar para a democracia. Assim, do bloco do BRICS, o Brasil, sim, √© o que tem um futuro, se n√£o inteiramente esplendoroso, mas com menos sofrimento, mais promissor, em termos de bem-estar de sua popula√ß√£o e de aproveitamento de suas in√ļmeras riquezas. Portanto, me desculpem, mas a China est√° longe de ser uma “pot√™ncia”, ao menos em termos de bem-estar da totalidade de seu povo. √Č, antes de tudo, politicamente, uma ditadura de estado que tenta praticar uma castrante e protecionista economia de mercado. Pr√° China se tornar uma Pot√™ncia, de fato, tem que distribuir melhor sua riqueza – cuja distribui√ß√£o √© pior do que a do Brasil – e se enveredar pelo caminho da democracia, retirando a morda√ßa de sei povo. Agora, que tem condi√ß√Ķes pr√° se tornar uma pot√™ncia, de fato – e digo em termos, principalmente, de IDH – l√° isso tem. Mas precisa, antes, resolver seus problemas, que s√£o muitos.

    • Josbach,
      O conceito de pot√™ncia mundial contido no texto √© puramente econ√īmico. A China √© a segunda economia do mundo e a primeira em reservas cambiais em seu Banco Central (cerca de US$ 2,8 trilh√Ķes).
      Obrigado pelas informa√ß√Ķes.

  3. Prof. Marcos Brandão, parabéns pelo seu site! Sou pre-vestibulanda de medicina, estou há 4 anos estudando e nunca tinha visto um site tão bom de geografia! Parei aqui por acaso há 2 semanas, pesquisado sobre os climas do Brasil, e hoje já li quase todos os seus artigos! Mas esse sobre a China tive de deixar o meu comentário, está excelente (não que os outros não estejam, claro) e SUPER completo! Estou torcendo que caia bastante China no vestibular da UnB amanhã, porque com a leitura desse texto pude aprender muito mais claramente um assunto tão complicado! Continue o seu trabalho que pode ter certeza que vc está ajudando muita gente! Obrigada!

    • Ol√°,
      Diante das palavras escritas eu é que sou compelido a dizer obrigado, muito obrigado mesmo Vanessa! São comentários como o seu que nos fazem continuar esse trabalhão de administrar este blog.
      Espero e desejo que você faça uma ótima prova amanhã e passe no esperado vestibular para medicina.
      O pensamento aqui é que quando você sabe algo a mais que outras pessoas, de nada adianta se você não achar uma maneira para ajudá-las, pois todas as pessoas têm um papel social, e o importante é descobrí-lo o quanto antes.
      Boa sorte!

  4. Professor,

    Tenho uma d√ļvida e gostaria de ajuda por favor.

    Li outro dia um coment√°rio que afirmava que a principal raz√£o do crescimento do PIB chin√™s a ponto de ultrapassar o Japon√™s √© decorrente da tecnologia ultrapassada do Jap√£o. essa afirmativa me deixou intrigado por favor me ajude a esclarecer essa d√ļvida…

    Obrigado.

    • Andr√©,
      Não acredite em tudo que você lê por aí. Essa informação do PIB Chinês não procede.
      O principal motivo do PIB chin√™s ter ultrapassado o japon√™s foi por causa da queda nas exporta√ß√Ķes e no consumo interno, desencadeada pela recess√£o de 2008/2009, que prejudicou o desempenho do Jap√£o. J√° a China teve um excelente desempenho no setor manufatureiro. Segundo a BBC, a China √© hoje o principal parceiro econ√īmico do Jap√£o. Empresas de eletr√īnicos como a Sony e fabricantes de carros como Honda e Toyota ganham cada vez mais espa√ßo no gigante mercado chin√™s.
      Espero ter ajudado e eu é que agradeço a visita e comentário.

  5. NOSSA ESSE PESQUISA SOBRE A CHINA ME AJUDOU MUITO
    A ENTENDER DIVERSOS ASSUNTOS QUE FORAM ESQUECIDOS
    E QUE AGORA PODEMOS ENTENDER UM POUCO MAIS
    O QUE SE PASSOU..

  6. Realmente, voc√™ deixou tudo bem claro. Suas explana√ß√Ķes me tiraram algumas d√ļvidas.
    Não sou economista, porém, sigo a política internacional, bem de perto. Quanto a tal BRIC, que o josbach, citou, ele foi enganado pela mídia brasileira, que, atualmente, somente escreve o que interessa ao Governo.
    Resumindo: se existe pobreza na China, e existe, principalmemte nas zonas rurais, mas, n√£o se compara com a mis√©ria que existe pelo Brasil inteiro, desde que os petistas se apoderaram do governo, atr√°ves de Urnas-Eletr√īnicas (nada confi√°veis) porque podem ser programadas, para que um determinado partido, sempre ven√ßa, mesmo que pouco seja votado. Por esse motivo, o mundo civilizdo, n√£o as usa. O governo vive dizendo que milh√Ķes de brasileiros sairam da pobreza. Mas, esquecem de dizer que sairam da pobreza, sim, agora n√£o s√£o mais pobres, s√£o moradores de rua.
    Infelizmente, o Brasil, não é nenhum país emergente, está a beira do abismo, sem empregos, e os desempregados para não morrer de fome, têm que assaltar, por esse motivo a criminalidade aumentou tanto.
    Quanto a China, sem d√ļvida √© um pa√≠s emergente, e ainda nessa d√©cada, em coliga√ß√£o com a R√ļssia, comandar√° a NOVA ORDEM MUNDIAL. E como eles mesmo declararam? “Voc√™s n√£o podem nos deter!!! E ningu√©m os deter√°, para o bem da humanidade.

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